Arquivo de etiquetas: Rock

MY SLEEPING KARMA

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«Moksha»
Napalm Records
7/10
É impossível dissociar o pós-rock instrumental, de influências stoner, dos alemães My Sleeping Karma daquele que é apresentado pelos norte-americanos Karma To Burn, mas ao fim de nove anos e cinco álbuns de originais, o quarteto de Aschaffenburg começa finalmente a ter um pouco de alma musical própria. «Moksha», o quinto longa-duração do projecto, apresenta indeléveis influências étnicas orientais que, pese embora se diluam por vezes na força do pós-rock da banda, lhe dão um aroma e uma personalidade que tem efectivamente alguma originalidade. Partindo dessa base, os My Sleeping Karma fazem, em «Moksha» um álbum competente e sem erros, de pós-rock/stoner instrumental que toca em todas as teclas do estilo – da mais crua e visceral à mais ambiental e melódica – e, pese embora não atinja a genialidade em nenhum momento, possui uma coesão e nível de qualidade que chegam para convencer, e até entusiasmar, os mais acérrimos fãs do género. Quem, no entanto, procura mais do que “mero” pós-rock instrumental competente e bem feito, nesta altura de vacas gordas, terá de procurar noutro sítio.

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STEVEN WILSON EM PORTUGAL EM SETEMBRO

StevenWilson_2015Steven Wilson, o genial líder e fundador dos não menos geniais Porcupine Tree, tem também uma genial carreira em nome próprio. Nela, o multi-instrumentista e cantor explora um lado mais ecléctico e experimental do rock progressivo com que “ganha a vida” na sua banda principal. E é precisamente esse lado da sua carreira que o traz a Portugal no dia 15 de Setembro, uma terça-feira, para um concerto na Sala Tejo da Meo Arena, em Lisboa. Em cima do palco estará principalmente a novidade «Hand.Cannot.Erase», editada há três meses (da qual faz parte a música que ilustra o vído-clip em baixo), mas também os melhores momentos dos três discos a solo que Wilson editou nos últimos sete anos.

O espectáculo tem início marcado para as 21.30h e as portas abrem uma hora antes. Os bilhetes estão disponíveis nos locais habituais, com um preço único de Eur 25,00.

ADRAMELCH

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«Opus»
Pure Prog Records
7/10
É fácil perceber, por um lado, porque são os Adramelch uma banda com estatuto de culto entre os fãs de metal progressivo. A sua abordagem mistura de forma perfeita o “art rock” de nomes como Marillion com um lado mais metálico e épico, mantendo sempre tudo sob um inteligente manto de atmosfera. Por outro lado, não é propriamente a receita com um tipo de público-alvo bem definido (sobretudo em termos de grandes massas) e, após quase três décadas (embora com uma interrupção pelo meio) a fazer bons discos e a encher o metal progressivo de qualidade, os italianos não encontram motivação para irem para além de «Opus» e este quarto álbum de originais é mesmo o seu último. Ainda assim, não faltam pontos de interesse às 12 músicas que contém. A imagem de marca melódica, suave e sempre intrincada da composição da banda está lá toda, assim como um renovado sentido épico que os faz estenderem quase sempre as canções para além dos cinco minutos de duração e apresentar três duetos vocais. Mas é a atmosfera que dá coesão, originalidade e poder aos Adramelch e se, à falta de melhor, virem em algum lado «Opus» descrito como uma mistura de Iron Maiden, Marillion e Psychotic Waltz não pensem que é por acaso. Esta banda é mesmo especial e, pese embora os padrões do metal ou do rock progressivo internacional pareçam algo longe quando ouvimos um álbum como este, a culpa não é deles. É essencialmente de duas coisas; uma chamada “personalidade” e outra chamada “originalidade”.

KAMCHATKA

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«Long Road Made Of Gold»
Despotz Records
7/10
Quem segue este blog já conhece os suecos Kamchatka e a sua capacidade intrínseca para enfiarem prog rock no blues rock. Quem nunca ouviu falar no projecto tem em «Long Road Made Of Gold», o seu sexto álbum de originais, uma boa oportunidade de tomar contacto com a música descontraída, poderosa e visceral da banda. Porque, não revolucionando em nada a sua sonoridade, os Kamchatka cresceram, evoluíram e demoraram tempo para compor e gravar o álbum. E isso nota-se, através de um punhado de canções mais maduras, mais concisas, mais variadas e que gozam de uma modernidade old school que já levou a revista inglesa Classic Rock a descrevê-la como “1973 em 2015”. A “culpa” é, não apenas, de uma banda que conhece todos os recantos do blues rock clássico e o funde muito bem com trejeitos progressivos, mas também de uma inesperada parceria com Russ Russell, produtor de bandas como Napalm Death, na mistura e masterização do álbum. O resultado é uma dúzia de canções de hard rock clássico, cheio de blues nas veias e sangue na guelra, que pode não convencer quem acha que o movimento retro sueco terminou nos Graveyard, mas que constitui um belo cardápio para quem ouve a sua música sem pensar muito em movimentos, estéticas ou originalidade.

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YES: BAIXISTA E FUNDADOR LUTA CONTRA O CANCRO

Yes_chrissquire_Live2014Chris Squire, baixista e fundador dos britânicos Yes, trava neste momento uma luta contra uma forma rara de leucemia, que lhe foi diagnosticada a semana passada. O músico de 67 anos já abandonou a actual digressão que os Yes cumprem e submete-se agora a uma primeira fase de tratamento em Phoenix, nos Estados Unidos, onde reside. Squire será substituído na banda por Billy Sherwood, que actuou como teclista e guitarrsta convidado dos Yes ao vivo em 1994 e fez parte da formação oficial do colectivo entre 1997 e 2000. “Esta será a primeira vez desde que a banda se formou em 1968 que os Yes vão tocar ao vivo sem mim”, disse Chris Squire em comunicado. “Mas os outros elementos e eu concordamos que o Billy Sherwood fará um excelente trabalho a tocar as minhas partes e que o espectáculo como um todo será a experiência Yes que os fãs se habituaram a esperar ao longo dos anos”.

Entretanto, a Frontiers Music prepara-se para editar o álbum ao vivo «Like It Is – Yes At The Mesa Arts Center», que sai em CD duplo, DVD, Blu-ray e formato digital no dia 3 de Julho. Tal como tinha acontecido anteriormente com «Like It Is – Yes At The Bristol Hippodrome», este novo registo capta a actuação da banda num set que inclui dois álbuns clássicos tocados na íntegra: «Fragile» de 1971 «Close To The Edge» de 1972. A gravação foi feita durante a digressão mundial do grupo em 2014.

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MARILYN MANSON LANÇA NOVO VÍDEO

MarilynManson_Video_2015Marilyn Manson disponibilizou hoje online um novo vídeo-clip, filmado para o tema «The Mephistopheles Of Los Angeles». O vídeo, que pode ser visto abaixo, foi realizado por Francesco Carrozzini (que trabalhou anteriormente com Beyonce, por exemplo), com as rodagens a decorrerem em Los Angeles, e com participação do actor Michael K. Williams, das séries The Wire e Boardwalk Empire. «The Mephistopheles Of Los Angeles» faz parte do novo disco de Manson, chamado «The Pale Emperor», editado no final de Janeiro pela editora do músico – a Hell, Etc – em parceria com a Cooking Vinyl e a Loma Vista Recordings.

Em Julho e Agosto, Marilyn Manson juntar-se-á aos Smashing Pumpkins para uma digressão conjunta nos Estados Unidos, intitulada The End Times Tour.

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GHOST: NOVO DISCO SAI EM AGOSTO

Ghost_PapaLive_2015Os Ghost, autênticos heróis do heavy metal/rock sueco actual, editam o seu terceiro álbum de originais, «Meliora», no dia 21 de Agosto. Para quem está a perguntar-se, “Meliora” é a palavra latim para “melhor”. O registo do sucessor de «Infestissuman» foi produzido por Klas Åhlund, um super-activo músico, compositor e produtor sueco que é elemento dos Teddybears. A mistura foi encomendada a Andy Wallace, cujo currículo inclui nomes como Slayer, Nirvana ou Sepultura. No final deste mês ou no início do próximo deverá ser já editado um single de avanço, de uma faixa chamada «Cirice».

«Meliora» será o primeiro disco dos Ghost com o “novo” vocalista Papa Emeritus III, que sucede ao seu “irmão” (três meses mais velho, segundo a banda) Papa Emeritus II. A banda, completa com uma série de músicos que se chamam todos “Nameless Ghoul”, mantém um manto de anonimato sobre a verdadeira identidade dos seus elementos e não é estranha a uma certa de dose de controvérsia. Em 2013, por exemplo, o seu EP «If You Have Ghost», com versões de temas dos Abba, Depeche Mode, Rocky Erickson e Army Of Lovers (e uma versão ao vivo do tema «Secular Haze», cujo vídeo pode ser visto em baixo), dividiu a sua base de fãs, com algumas pessoas a acusarem a banda de ter virado definitivamente as costas ao metal. «Meliora» ajudará, neste Verão, a clarificar as coisas. Ou não.

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SEREMONIA

Seremonia_KristalliarkkiSEREMONIA
«Kristalliarkki»
Svart Records
8/10
Se o objectivo da música psicadélica é ser o mais obscura e densa possível, então os finlandeses Seremonia estão no topo do estilo. O quarteto pratica uma mistura de hard rock, doom, jazz e space rock, com letras em finlandês, vocalizações femininas e um sentido psicadélico omnipresente, que os transforma numa espécie de heróis das esferas underground mais viradas para este género musical. «Kristalliarkki» é o terceiro álbum de originais do projecto, tem uma gravação muito directa e orgânica – quase que arriscaríamos dizer que é analógica – e uma série de canções que variam entre o doom rock simples, de riffs efectivos e pejado de teclados, e longos momentos de puro devaneio spacey, apontamentos jazzísticos e narração quase esotérica de Noora Federley. Todos os pormenores são cuidadosa e meticulosamente revistos para que «Kristalliarkki» funcione como uma banho de imersão psicadélico e hipnótico, com o encantamento que apenas os mais exclusivos e obscuros projectos conseguem ter.

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MISS LAVA EM ESTÚDIO A GRAVAR TERCEIRO ÁLBUM

MissLava_Live_2015Os lisboetas Miss Lava entraram recentemente em estúdio com vista à gravação do seu terceiro álbum de originais, que irá chamar-se «Sonic Debris» e que terá lançamento assegurado, ainda este ano, pela editora norte-americana Small Stone Records. A produção decorre nos estúdios Pentagon Audio Manufacturers, na região de Lisboa, com supervisão de Fernando Matias, que trabalhou anteriormente com bandas como Moonspell, Bizarra Locomotiva, [f.e.v.e.r.] ou We Are The Damned. Alguns dos temas a incluir no registo obedecem a títulos como «The Silent Ghost Of Doom», «Fortune And Vice», «I’m The Asteroid», «Twin Heads» ou «Fangs Of Venom».

Enquanto regista o sucesor de «Red Supergiant», o grupo de stoner rock tem três presenças em festivais marcadas para este Verão, a saber:
03 Julho – Hardfest, Marinha Grande
11 Julho – Soutorock, Barcelos
17 Julho – Woodrock, Figueira da Foz

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POSTO DE ESCUTA 09.05.2015

Eis uma lista do que andámos a ouvir esta semana e que pode dar uma boa banda-sonora para um fim-de-semana de churrascada, de praia, de passeio à beira-mar ou de depressão profunda numa casa de janelas bem fechadas.

AtTheDawn_LandInSightAT THE DAWN «Land In Sight»
Bakerteam Records
O power metal italiano já não é o que era mas se, por um lado, perdeu grande parte do brilho que tinha na era de ouro dos Rhapsody, a verdade é que nunca chegou a enferrujar. Os At The Dawn enriqueceram a cena em 2013 com o disco de estreia e voltam agora com «Land In Sight», mais uma generosa dose de power metal melódico, metal progressivo e influências sinfónicas. Não é deslumbrante e nem lhes augura o título de próximos Stratovarius, mas mesmo para os elevados padrões italianos «Land In Sight» é um conjunto de canções bem compostas, bem executadas e com um bom som, que cumpre todos os requisitos de quem ouve power metal mais ou menos tradicional à italiana. (6/10)


 
Biopsy_FractalsOfDerangementBIOPSY «Fractals Of Derangement»
Transcending Obscurity
Noutro lado qualquer – mais nos Estados Unidos, admitamo-lo – os Biopsy seriam “apenas” mais uma banda a praticar death metal bruto e técnico fortemente inspirado por nomes como Gorguts, Disgorge ou Devourment. Existem muitas (não as suficientes, se perguntarem a qualquer fanático por este género específico), pese embora sejam menos as que equilibrem com parcimónia peso sem limites, argumentos técnicos invejáveis e uma produção clara e poderosa. Mas o que realmente distingue os Biopsy da concorrência é o facto de fazerem isto tudo e serem indianos. Convenhamos que uma banda de death metal bruto e magnanimamente técnica oriunda daqueles lados tem uma aura de exotismo pela qual e difícil não nutrir simpatia. (7/10)


 
CivilWar_GodsAndGeneralsCIVIL WAR «Gods And Generals»
Napalm Records
Não demorou muito (o primeiro disco saiu em 2013) até que os suecos Civil War regressassem aos álbuns de originais. «Gods And Generals», a segunda proposta da banda composta por elementos amotinados dos Sabaton em 2012, a que se junta o vocalista dos Astral Doors, segue o mesmo caminho da sua antecessora. Heavy/power metal fortemente inspirado por história de batalhas e guerra, de abordagem vocal mais aguda que os Sabaton e poucas outras diferenças. Ainda assim, os Civil War procuram ocasionalmente derivar para coisas um pouco diferentes («Braveheart» tem, por exemplo, uma abertura de piano e voz), mas o pendor do disco é claramente heavy/power metal tradicional feito à boa maneira sueca. (7/10)


 
Infernus_GrindingChristianFleshINFERNUS «Grinding Christian Flesh»
Moribund Records
Seriamente comprometidos com o lado mais cru e directo do black metal, os norte-americanos Infernus encontram, ainda assim, espaço na sua música para outros componentes. Existe, por exemplo, uma série de riffs e ritmos muito black/thrash, que farão as delícias de fãs de bandas como Desaster ou Deströyer 666, mas também uma camada de guitarra acústica em faixas como «Worms Of The Casket» que faz lembrar o equilíbrio precário, inocente mas delicioso que os Dissection faziam entre brutalidade e melodia. «Grinding Christian Flesh», o segundo álbum dos Infernus, ainda não é tão genial como os termos de comparação aqui empregues, mas consegue ser algo mais do que apenas despejar black metalhada conservadora para cima do ouvinte. (7/10)


 
KiskeSomerville_CityOfHeroesKISKE/SOMERVILLE «City Of Heroes»
Frontiers Music
No segundo disco colaborativo entre Michael Kiske (ex-vocalista dos Helloween, actualmente nos Unisonic) e a cantora norte-americana Amanda Somerville, agulhas são acertadas e receitas são aperfeiçoadas. E, com uma banda que, para além da baterista checa relativamente desconhecida Veronika Lukešová, conta com o baixista Matt Sinner (Primal Fear, Sinner) e com o guitarrista Magnus Karlsson (Primal Fear), não há como errar. Se, a todos estes factores, juntarmos os “pequenos” pormenores das duas vozes encaixarem e serem perfeitamente compatíveis (ao contrário de inúmeros outros projectos colaborativos montados pela Frontiers apenas para “vender” os nomes) e a dupla Karlsson/Sinner ser a melhor equipa de composição do power metal melódico actual, percebemos que «City Of Heroes» não é um disco qualquer. É, de facto, o novo candidato a vício de quem gosta de metal melódico, rock sinfónico, power metal europeu ou female fronted metal. Ou tudo junto. (8/10)


 
Lancer-CoverArt-DimitarNikolov.psdLANCER «Second Storm»
Despotz Records
Os Lancer continuam o seu glorioso caminho para a liderança do novo power metal melódico com um segundo álbum de originais que cruza os universos de Helloween e Iron Maiden, com a irreverência da juventude e o poder das produções modernas. A banda consegue apurar um pouco a composição, apresentando temas ainda mais assertivos onde o power metal é reduzido à sua essência mais melódica, crua e irreverente. Não é original e nem sequer consegue ser muito diferente de algumas outras propostas contemporâneas que procuram recuperar o power metal europeu “clássico” dos anos 80. Mas é feito sem complexos e com um sentido de divertimento assinalável e isso, para os fãs do género, será mais do que suficiente. (8/10)


 
Outre_GhostChantsOUTRE «Ghost Chants»
Godz ov War/Third Eye Temple/Essential Purification
A escola polaca de metal extremo é sobejamente conhecida e, a julgar pelo primeiro longa-duração dos Outre, continua a produzir projectos de qualidade acima da média. A abordagem do colectivo em «Ghost Chants» anda algures entre o black/death metal cheio, rápido e técnico (comparações com Behemoth são inevitáveis) e o rugido multi-camadas, dissonante e francamente ameaçador dos Deathspell Omega. A jovem banda parece dominar todos os aspectos da sua sonoridade, produzindo 35 minutos de música que respiram confiança, competência e uma aura de negridão muito polaca. O black metal de última geração está bem entregue nas mãos dos Outre. (8/10)


 
Pinkroom_UnlovedToyPINKROOM «Unloved Toy»
Auto-financiado
Os polacos Pinkroom bebem influências no prog-rock mais marado dos anos 70 (pensem em King Crimson), no jazz, em alguma música electrónica e no prog de última geração dos Porcupine Tree até se empanturrarem. Depois, quando escrevem e gravem, sai uma espécie de mistura de tudo, feita com uma demanda artística ao nível da cena inglesa de final dos anos 60 (Yes, The Mabel Greer’s Toyshop), feita sempre com um olho na progressão de acordes intrigante e outro nos padrões rítmicos complexos e intrincados. Os exageros técnicos são inevitáveis, mas os Pinkroom sabem evitá-los melhor nesta segunda proposta do que no disco de estreia. E acabam por propor um interessante festim de música progressiva que cruza de modo gracioso e natural as três fases do género. (7/10)


 
SecretSymmetry_EmergeSECRET SYMMETRY «Emerge»
Ethereal Sound Works
Com um rock alternativo enrobustecido por riffs pesados e uma queda para o metal progressivo, os lisboetas Secret Symmetry (ex-Ipsis Verbis) estreiam-se com este MCD de cinco faixas e dão boas indicações. Sobretudo porque têm arte e bom gosto para colocar um lado atmosférico acompanhar quase todos os temas, o disco goza de uma boa produção e é tudo feito da um modo invulgarmente profissional. Do outro lado do espectro estão melodias que precisam de um pouco mais de força e uma maior fatia de experiência na composição, que lhe permita “cortar” algumas partes desnecessárias e tornar as canções em verdadeiras máquinas de rock/metal progressivo de contornos melancólicos e progressivos. Que é o que os Secret Symmetry, eventualmente, acabarão por ser. Porque quem escreve e grava música assim logo ao primeiro registo não é parvo. (6/10)


 
Turbowolf_TwoHandsTURBOWOLF «Two Hands»
Spinefarm Records
Os Turbowolf pertencem à nova geração de músicos ingleses para quem as barreiras estilísticas são meras convenções. «Two Hands», o segundo álbum, aperfeiçoa a abordagem perfeitamente experimental do colectivo cuja sonoridade, a espaços, pode ser descrita como uma mistura entre Mindless Self Indulgence e Pure Reason Revolution e, noutros, como uma espécie de The Mars Volta a testar batidas electrónicas e melodias de Black Sabbath. O grupo lá consegue, ao longo de 11 faixas e 40 minutos, fazer sentido desta incrível mistura de diferentes elementos musicais mas por vezes não consegue escapar ao espectro da sobrevariedade e perde-se ali um pouco no meio dos ingredientes todos. Ainda assim, «Two Hands» vale a pena pela ousadia e por um par de temas francamente entusiasmantes. (7/10)

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