UNHOLD

UNHOLD_LogoHá mais de duas décadas a moldar, experimentar e fazer progredir o sludge europeu, os suíços Unhold podem muito bem ser um dos maiores tesouros que o underground tem por descobrir. Ao chegar a «Towering», o seu quarto álbum de originais, o colectivo de Berna é uma besta imprevisível de sludge progressivo, pós-hardcore e rock vanguardista que trabalha atmosferas, texturas e emoções como poucos colectivos conseguem fazer. Thomas Tschuor, guitarrista e um dos três vocalistas de serviço, pintou-nos o retrato deste incrível projecto.

Unhold Band 2015Vocês sempre demoraram algum tempo a lançar novos discos, mas desta vez passaram sete anos desde que o «Gold Cut» saiu. O que voz fez demorar tanto?
Bem,depois do lançamento do «Gold Cut» em 2008 andámos em digressão com esse álbum pelo menos uns dois anos. Depois voltámos a trabalhar em novo material. Somos uma banda muito democrática e trabalhamos juntos em todos os pedaços de música até que tudo encaixe nos locais certos. Esse processo pode demorar muito tempo. Depois, em 2012, celebrámos o nosso vigésimo aniversário, tivemos alterações na formação e começámos a finalizar o nosso quarto álbum.

Como defines o «Towering», quando comparado com os vossos lançamentos anteriores?
Acho que é o nosso disco mais diverso até agora e, no entanto, é uma unidade. Se existe uma temática, é a viagem do lugar mais profundo da nossa alma para fora dela. Ilustrámos isso com alguns interlúdios que começam no núcleo da terra e depois atravessam todas as camadas até à superfície, subindo depois para a atmosfera e passando o sistema solar até à mais profunda das galáxias.

A música do disco mudou e desenvolveu-se muito desde que recrutaram a Miriam [Wolf, teclista e vocalista], certo? E o mais engraçado é que a audição dela nem foi para teclista, pois não?
Não. O Leo [Matkovic, baixista] e a Miriam ambos fizeram audições para baixista. Achámos os dois excelentes e convidámo-los para pertencerem à banda. Como o instrumento original da Miriam era o piano, chegámos à conclusão que havia espaço para acrescentar um novo elemento à nossa paleta sonora, para além da magnífica voz dela.

O facto de serem um projecto híbrido, em constante mutação e crescimento, certamente não ajudou a “vender” a música da banda em lojas de discos mais convencionais, que ordenam tudo por estilos definidos, certo?
Certo. A nossa música exige uma profunda atenção por parte do ouvinte, para que possa descobrir as diferentes atmosferas de cada álbum. Isto é válido não apenas para os fãs como algo que reflecte os indivíduos da banda.

towering_gatefold_aussen_v2Posto isso, como descreves o vosso fã-tipo?
Conhecemos um pouco por todo o lado muitos seres humanos, femininos e masculinos, com um grande interesse pela mais extrema música rock, arte, pessoas e viagens musicais. Como podes perceber, os Unhold têm fãs muito simpáticos em muitos sítios.

À medida que a vossa música cresce e evolui, as influências dos elementos também mudam? Ainda ouvem as mesmas bandas que ouviam há 20 anos e elas ainda vos influenciam?
Claro. Acho que, assim que uma pessoa é tocada pela paisagem musical de uma banda, irá sempre ser influenciada por ela. É como ter uma licenciatura em alguns artistas, uma espécie de base e depois estarmos preparados para irmos para o mundo da música, descobrir novas bandas e velhos tesouros obscuros.

Qual foi a principal inspiração para as letras do «Towering»? Qual foi a abordagem à sua escrita?
Todos os três vocalistas contribuem com letras. E normalmente é quem traz as letras que canta essa parte específica ou essa canção. A principal inspiração é a vida, com o seu lado negro, bem como as flores de cada amanhã. Posso apenas falar por mim, mas por vezes tenho uma ideia muito clara do que preciso de escrever, como aconteceu na «Southrn Grave», em que precisei de abandonar a minha zona de conforto e encerrar o passado, de modo a finalizar um capítulo. Outras vezes aparecem-me palavras na cabeça e demoro algum tempo a perceber porque apareceram.

Como encaram actualmente as digressões? Estão totalmente empenhados nelas ou as vossas vidas profissionais e pessoais não vos permitem ir para a estrada tanto quanto desejariam?
É uma mistura de ambas as coisas. Todos temos de passar algum tempo nos nossos empregos de modo a pagar as contas, mas em 2015 vamos conseguir arranjar alguns períodos para fazermos digressões. Estamos em processo de marcação de datas e ansiosos por descobrir novos lugares e conhecer novos públicos por toda a Europa e, se conseguirmos cobrir as despesas, mesmo fora da Europa

Como encaram esta nova vaga de sludge/doom que anda por aí? Acham que é uma coisa positiva em termos gerais e, especificamente, para os Unhold?
É óptima! Este género musical tem proposto tantas e novas formas de música para descobrir e adoramo-lo. Basta pensar nas emoções fortes que já estavam bem patentes em bandas dos anos 70 como Toad ou Celtic Frost, mesmo oriundas de pequenos países como a Suíça – era espantoso. E depois toda a música do início da década de 90, com a popularidade de grupos como os Crowbar, Eyehategod e Neurosis. Os discos dessas bandas ainda são obras-primas actuais e influenciam imensas bandas de hoje. São coisas reais.

O disco está a ser lançado pela Czar Of Crickets, enquanto que os vossos álbuns anteriores foram editados pela Subversiv Records. Quais são as principais diferenças entre ambas as editoras?
A Subversiv Records é uma pequena editora independente focada no mercado suíço. Ainda são eles que tratam do lançamento do «Towering» na Suíça. O nosso amigo Fredi da Czar Of Crickets é muito organizado internacionalmente. Isso dá aos Unhold uma série de novas oportunidades e, como o «Towering» faz artisticamente, esta parceria marca o início de uma nova era na existência da banda.

«Towering» foi editado em Fevereiro pela Czar Of Crickets Productions.
Site oficial

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