REEDIÇÕES

Sarcofago_RottingSARCOFAGO
«Rotting»
Greyhaze Records
4/5
É inegável a influência que os Sarcofago tiveram, não apenas na cena brasileira como no black/death/thrash metal em geral, cena em que ainda hoje são frequentemente influenciados como inspiração por jovens – e não tão jovens assim – bandas. «Rotting», editado em 1989 pela Cogumelo Records, tinha a responsabilidade de suceder à marcante estreia «I.N.R.I.», mas os Sarcofago não eram gente para sentir qualquer tipo de responsabilidade e, por isso, gravaram um MCD cheio do mesmo tipo de black/death/thrash metal vicioso e anti-cristão até ao tutano, um pouco melhor produzido e tocado mas com o mesmo tipo de crueza e produção directa que tinha baralhado, chocado e impressionado os fãs de metal extremo. Ainda havia de demorar dois anos até a banda lançar «The Laws Of Scourge», por isso «Rotten» tornou-se, por direito próprio o “segundo disco dos Sarcofago” e um dos seus melhores momentos criativos, nomeadamente a canção «Sex, Drinks And Metal», um dos clássicos do colectivo. A redição que a Greyhaze agora lança é em vinil, num LP embalado em gatefold e disponível em duas cores diferentes: preto clássico e verde “fumado” a preto. O som foi inteiramente remasterizado, mantendo no entanto a abordagem honesta e directa da gravação original. Uma reedição em digipak CD/DVD está também a ser preparada para breve.
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CradleOfFilth_TotalFuckingDarknessCRADLE OF FILTH
«Total Fucking Darkness»
Mordgrimm
4/5
O ano passado assinalaram-se exactamente duas décadas da edição da maqueta «Total Fuking Darkness», a terceira de uns então underground Cradle Of Filth, que teve como principal característica a inversão da sonoridade, até então mais estrictamente death metal, para um black/death metal que se começava a aproximar da receita musical que tornou a banda famosa. Apesar das vocalizações serem ainda guturais e haver poucos sinais do gritinho que é a imagem de marca de Dani Filth, os ambientes góticos começavam a marcar presença nas quatro faixas (mais postlúdio), tornando a abordagem musical dos ingleses mais formal, mais multifacetada e, em última análise, mais original à época. Agora, a Mordgrimm reedita – pela primeira vez de forma oficial – o lançamento, em CD, vinil e numa caixa com ambos os formatos de edição ultra-limitada (apenas 66 caixas foram fabricadas). O som foi remasterizado no Turan Studio, a capa é nova (e inclui uma pintura de Daniel P. Carter) e, como bónus, conta com a faixa «Splattered In Faeces» (a única que permanece do álbum de estreia fantasma da banda, «Goetia»), a inédita «Devil Mayfair (Advocatus Diaboli)» gravada em 1992, bem como mais três faixas dessa mesma sessão de gravação e duas pequenas peças instrumentais do teclista da altura, Ben Ryan. Apesar do material não apresentar um envelhecimento exemplar, «Total Fucking Darkness» é uma peça essencial na evolução dos Cradle Of Filth e do próprio black metal enquanto estilo. Como tal, esta reedição reveste-se de uma particular importância histórica e académica.
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Phlebotomized_ImmenseIntenseSuspensePHLEBOTOMIZED
«Immense Intense Suspense & Skycontact»
Hammerheart Records
4/5
Os Phlobotomized são uma banda holandesa formada no início dos anos 90, tendo lançado um par de maquetas, um par de EPs e um par de álbuns de originais para se eclipsar lá mais para o final da década, voltando recentemente para lançar um par de… compilações. A primeira saiu o ano passado e reunia os temas da maqueta «Devoted To God» e do EP «Preach Eternal Gospels». A segunda é este relançamento, feito pela Hammerheart, dos dois discos de estúdio do projecto, numa só edição. A relevância do septeto do sul da Holanda reside na mistura, mais romântica e entusiasta do que propriamente eficaz ou irresistível, de death metal brutal, doom, melodia, melancolia e laivos progressivos. «Immense Intense Suspense», originalmente editado em 1994 pela Cyber Music, é um caso de estudo: as vocalizações são grunhidas e bem graves (ocasionalmente transformadas num tímido tom límpido e melódico) os riffs são técnicos quase ao ponto do grind, a velocidade invariavelmente lenta e o violino acompanha quase todos os temas, assim como uma ocasional tendência para os interlúdios de guitarra acústica. Melancolia e brutalidade, aliados de uma forma que não teve seguimento fora dessa época e que soa agora de forma deslocada mas, por isso, estranhamente original. «Skycontact», lançado pela mesma editora em 1997, é ligeiramente mais heterogéneo e concentrado na melodia e atmosfera, recorrendo por vezes a grunge e a fusão, mostrando uma banda em acelerada evolução e tentando soar de forma tão original e progressiva que chegou a assustar valentemente os seus fãs. Talvez tenha sido por isso que os Phlebomotized nunca chegaram muito longe e se desvaneceram logo após «Skycontact», mas esta reedição – feita com o som devidamente remasterizado e um novo trabalho gráfico – vem expor um grupo de gente motivada, talentosa e que procurava a verdadeira originalidade a todo o custo. Pode soar de forma meio estranha e desconchavada à luz do que conhecemos hoje, mas há que reconhecer que, provavelmente sem discos como «Immense Intense Suspense» ou «Skycontact» hoje não existiram Textures e derivados.
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Velnias_SovereignNocturnalVELNIAS
«Sovereign Nocturnal»
Eisenwald
4/5
Formados em 2006 pelo baterista dos I Shalt Become A.J.S., pelo guitarrista e vocalista P.J.V. e pelo baixista dos Aevangelist C.K.P., os norte-americanos mostraram logo a sua arte obscura em 2007, com a maqueta «Pacing The Cyclic Nether» mas foi no ano seguinte, com a estreia «Sovereign Nocturnal», que deram realmente nas vistas. Os três longos temas do disco (num total de 42 minutos) mostravam que era possível unir o ambiente desolado do black metal depressivo, as atmosferas carregadas do doom e um leve toque folk sem ser preciso chamar à banda “Agalloch” nem ao álbum “Nattens madrigal”. «Into Arms Of Oak», «Risen Of The Moor» e «Sovereign Nocturnal» vão desenrolando os seus ambientes soturnos, de beleza estranha e profundidades obscuras com parcimónia e com o talento para a arte nocturna que apenas as bandas verdadeiramente dotadas possuem. Originalmente editado numa pequena prensagem pela God Is Myth Records, foi reeditado em digipack com novo trabalho gráfico logo em 2009. Foi também na altura feita uma tour edition, limitada a 50 unidades, com o digipack e um envelope pintado à mão que continha as letras. Mais tarde saiu em vinil (pela Vendetta Records) e em cassete, em Outubro de 2011, pela Eternal Warfare, numa edição limitada a 100 unidades. Agora chega outra vez ao formato CD, numa nova edição em digipack de luxo, com nova capa. Também disponível em LP gatefold.
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Onward_EvermovingONWARD
«Evermoving»
Pure Steel Records
4/5
No trabalho quase de utilidade pública que a Pure Steel tem feito em reeditar clássicos do underground em vinil, destaca-se agora «Evermoving», o disco de estreia que os Onward lançaram originalmente em 2001, pela Century Media. Primeiro, porque a edição foi feita apenas em CD e o disco nunca tinha chegado à versão “ouro negro”. Depois, porque os Onward foram uma das mais importantes bandas do power metal melódico norte-americano dos anos 00, época de aparentes vacas magras mas cheia de tesouros por descobrir como este. «Evermoving» contava com um ataque dual de guitarras que permitia fazer harmonias e longos solos sempre com uma base rítmica muito vincada, enquanto que a produção lembrava um pouco os primeiros discos a solo de Ozzy Osbourne. Outra das características dos Onward era a voz do malogrado Michael Grant, um misto do tom alto europeu e da agressividade do US power metal especialmente indicada para quando a sonoridade da banda se encostava ao thrash, como é o caso do tema «Absolution Mine». A reedição é limitada a 500 cópias e é esperada também uma reprensagem em vinil do segundo disco da banda, «Rewaken», de 2002. Agora que se sabe que os Onward nunca vão voltar ao activo, uma vez que os planos de reunião tiveram um fim abrupto com a morte de Michael Grant em 2012, resta venerar obras como esta, no formato sagrado.
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InColdBlood_SuicideKingIN COLD BLOOD
«Suicide King»
A389 Records
4/5
Quem gosta de bandas como Integrity ou Ringworm conhecerá com certeza os In Cold Blood. A banda serviu de escape e projecto paralelo para os irmãos Melnick, que vinham de ou haviam de formar os grupos acima mencionados, e liderou o movimento metal/hardcore dos anos 90 em Cleveland, passando por editoras marcantes como a Victory Records no seu percurso sinuoso, mas orgulhoso, até aos dias de hoje. «Suicide King» reunia, em 2009, a maqueta do mesmo nome, as faixas do 7” homónimo esgotado há décadas e cinco faixas ao vivo, mostrando todo o poder dos In Clod Blood para irem do hardcore mais vicioso e violento a momentos de puro sludge/doom/hardcore ou psicadélicos com uma naturalidade e uma facilidade desarmante. À luz do que conhecemos hoje, é histórico, é interessante e pode ser posto lado a lado com os primeiros discos dos Shai Hulud na prateleira de “gente visionária do hardcore”. Esta reedição, em vinil de 12” e formato digital, conta com os temas remasterizados e nova apresentação gráfica. Não tem é as canções gravadas ao vivo da edição original. Ainda assim vale a pena, como autêntica peça de colecção, para fãs de hardcore old school.
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JestersOfDestiny_FunAtTheJESTERS OF DESTINY
«Fun At The Funeral»
Ektro Records/Full Contact
5/5
Para colocar a questão de forma simples e directa, os Jesters Of Destiny foram uma das mais progressivas, alternativas e incompreendidas bandas de metal dos anos 80. A mistura de metal progressivo, rock psicadélico e pop, numa altura em que as coisas eram heavy, speed, thrash ou death metal, não ajudou muito, mas a verdade é que o projecto editou, em «Fun At The Funeral», o seu único disco de originais lançado em 1986, uma proposta que não apenas haveria de sobreviver bem ao teste do tempo como dar aos Jesters Of Destiny uma aura de culto que foi aumentando à medida que o seu género musical, como que por magia, se ia tornando a moda actual. Em 2001 a editora finlandesa Ektro Records reeditou o álbum, remasterizado, com vários temas bónus, todos retirados das sessões de gravação daquele que seria o segundo trabalho de originais da banda, que estava a ser gravado quando o grupo se separou. Agora, o ênfase é retirado da palavra “remasterizado” e a mesma editora une-se à Full Contact para lançar os temas numa réplica bastante fiel do vinil original, com o som o mais próximo possível ao que foi editado em 1986. O resto é história… Nunca uma mistura de The Beatles, Led Zeppelin, King Diamond e Black Sabbath soou de forma tão desafiadora e selvagem.
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Mystifier_WiccaMYSTIFIER
«Wicca»
Greyhaze Records
3/5
Os adoradores de Sarcofago brasileiros Mystifier têm construído, ao longo das duas últimas décadas, uma sólida reputação entre os fãs de black metal underground e apesar – ou porque – se manterem inactivos em termos de edição de material novo desde 2001, o interesse à volta do seu reportório antigo não esmorece. «Wicca», o disco de estreia, originalmente lançado em 1992 pela extinta editora brasileira Heavy Metal Maniac Records, é um daqueles tesouros de black metal “fuck off” que qualquer coleccionador gosta de possuir. A atitude era honesta, a abordagem era o mais extrema possível e a sonoridade tinha traços de Sarcofago, Venom, Bathory, Vulcano e Sepultura antigos. Desde a sua edição original, o álbum já teve um sem número de reedições. Esta, da Greyhaze Records, é feita um CD (com um DVD bónus com dois concertos da banda) e faixas bónus que não estavam presentes em nenhuma das anteriores reedições. Uma versão em vinil está também em preparação para breve. É bom porque renova no mercado a disponibilidade de um dos discos mais acarinhados por fãs de black metal caótico old school mas esses – os verdadeiros – já terão uma qualquer das reedições feitas nos últimos anos. Ou mesmo a original, no caso dos mais afortunados.
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EmergencyGate_RemembranceEMERGENCY GATE
«Remembrance (The Early Days)»
Sonic Revolution
3/5
Durante demasiado tempo, os alemães Emergency Gate passaram despercebidos a boa parte da cena metaleira devido a uma infeliz sucessão de escolha de editoras, mas também porque a sua abordagem não era a excelente mistura de death metal melódico moderno, metalcore e electrónica que apresentaram no último trabalho de originais. Este EP recorda os primeiros tempos da banda, com meia-dúzia de faixas originalmente compostas até – e para – o primeiro disco, e todas apresentam uma sonoridade death metal melódico de vocalizações melancólicas e agressivas, não muito longe do espectro dos Sentenced. Não é mal feito e, tirando na balada charoposa «Closing My Eyes», consegue manter o interesse do ouvinte através de melodias mais ou menos bem pensadas e de um trabalho de guitarra que contempla riffs sólidos e solos inspirados no gelo finlandês. O facto de «Remembrance (The Early Days)» estar agora a ser reeditado quando passaram apenas dois anos do seu lançamento original tem a ver com o tal azar na escolha de editoras (a anterior faliu) mas deu oportunidade aos Emergency Gate de incluírem uma versão, recentemente gravada, do smash hit do euro-pop «Runaway», com participação especial do próprio Haddaway, autor original da canção. Depois, o relançamento fica completa com mais dois temas antigos – «Dark Side Of The Sun» e «Gold & Glass» – dos quarto e terceiro álbum da banda, respectivamente – bem captados ao vivo no concerto de apresentação do último registo. Bónus que deverão ser suficientes para os fãs da banda quererem ter este EP, mesmo que seja de um passado não exactamente muito glorioso.
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Sacrilege_DemonWomanSACRILEGE
«Demon Woman»
Jolly Roger Records
4/5
Em 1987 o doom metal mais clássico (ler “com mais influências de heavy metal”) não era propriamente uma moda. Ainda assim, uma sementinha de um certo revivalismo começava a germinar na cabeça de Lee Dorian (então nos Napalm Death) e num certo underground, nomeadamente no italiano, de onde provêm os Sacrilege. O grupo foi iniciado em 1986 e continha dois elementos de outras duas bandas de doom/heavy metal local da altura – os Epitaph e os Black Hole – tendo gravado uma maqueta e cessado actividades um ano depois. Os cinco temas da demo, no entanto, não caíram no esquecimento, sendo avidamente reverenciados e trocados pelos mais fanáticos coleccionadores de doom/heavy metal underground até aos dias de hoje. A Jolly Roger, no seu trabalho de quase utilidade pública, recupera-os agora, devidamente remasterizados, e apresenta-os numa edição especial em vinil, limitada a 500 unidades. Apesar das óbvias limitações sonoras (que a remasterização conseguiu atenuar, mas não apagar completamente), torna-se lógico que os Sacrilege tinham uma cena especial entre mãos, que não fica atrás de nenhum dos seus parceiros de cena da altura. O doom/heavy metal do grupo é fortemente influenciado pelo blues (como deve ser) e tem generosas dosas de rock psicadélico, numa espécie de misto obscuro de Black Sabbath e Led Zeppelin. Isto feito em plena década de 80, quando ninguém queria saber do doom rock e o próprio Ozzy andava a fazer discos de hard rock/heavy metal tão comercial quanto possível.
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Kongh_CountingHeartbeatsKONGH
«Counting Heartbeats»
Agonia Records
4/5
Já (quase) toda a gente sabe quão marcante foi o álbum de estreia dos suecos Kongh em 2007. O sluge tocado à velocidade do doom, aliado aos trejeitos de rock progressivo e a uma distorção monstruosa deixaram confusos, siderados e/ou escandalizados os fãs de bandas como Mastodon, Yob e Unearthly Trance. Desde a edição original em CD (feita pela Trust No One, actualmente ainda disponível), «Counting Heartbeats» foi alvo de duas reedições em vinil: uma feita pela Sound Devastation Records (limitada a 800 unidades) e outra – em 2011 – da Music Fear Satan (de 1.000 cópias). Agora, o álbum de estreia dos Kongh chega outra vez ao formato de CD, num digipack cuja prensagem é limitada a 1.000 e que tem como grande atractivo um segundo CD, que contém as quatro faixas da maqueta de 2006 da banda (até aqui apenas disponíveis numa tiragem muito limitada de CDr) e a faixa de 25 minutos «Drifting On Waves», lançada em 2008 no split com os Ocean Chief. Em termos de relevância, é neste disco bónus que está a mais valia desta nova reedição de «Counting Heartbeats». No entanto, se ainda não possuem este marco do sludge/doom de proporções mamuticas, não há nada a temer. Esta é a vossa oportunidade.
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TheMezmerist_TheInnocentTheTHE MEZMERIST
«The Innocent, The Forsaken, The Guilty»
Shadow Kingdom Records
4/5
Das editoras que têm pegado nas bandas dos anos 70 e 80 e têm trazido os seus clássicos obscuros para os dias de hoje para mostrar aos putos retro que o hype tem um lado autêntico e underground, a Shadow Kingdom Records será porventura a que tem feito o melhor trabalho. The Mezmerist, projecto de um tal Tommy Mezmercardo (guitarra, voz) é um dos mais desconhecidos bons nomes de heavy metal psicadélico norte-americano dos anos 80. «The Innocent, The Forsaken, The Guilty», o único EP que editaram (em 1985) contém quatro temas em que os Hawkwind, os Leed Zepellin e os Mercyful Fate têm igual importância em termos de influências. Reverb em abundância, solos longos, secção rítmica a dar para a hipnose e (raras) vocalizações tão exageradamente King Diamond que são deliciosas. Depois, há o valor moral de haver o mito urbano segundo o qual Bill Ward, dos Black Sabbath, foi o baterista de serviço no EP. Esta reedição, com o som devidamente restaurado e remasterizado, conta ainda com três faixas bónus, gravadas em 1985 para o segundo EP de The Mezmerist que nunca chegou a ver a luz do dia. Ou seja, um total de sete faixas de puro ouro obscuro (a edição original, em vinil, foi limitada a 500 cópias e teve distribuição quase nula) para quem aprecia heavy metal psicadélico com uma dose generosa de doom rock clássico.
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Leviticus_TheStrongestPowerLEVITICUS
«The Strongest Power»
Ektro Records
4/5
É óbvio que a resposta de uma editora ecléctica como a Ektro Records ao avanço do heavy metal mais retro teria de ser tudo menos corriqueira. Por isso, em vez de assinar uma banda de putos que tentam a todo o custo soar como uma qualquer entidade dos anos 80, a editora finlandesa pegou num clássico obscuro dos anos 80, deu-lhe uma limpeza sonora e apresenta-o agora ao mesmo público que anda a consumir tudo o que cheira a mofo. Os suecos Leviticus eram uma banda de heavy metal (na altura, sem sufixos, prefixos ou adjectivos como “clássico” a agraciar a expressão) que editou cinco álbuns de originais nos anos 80 antes de encerrar actividades no final da década. O facto de serem abertamente cristãos – e serem bem explícitos sobre isso nas letras das canções – era uma coisa muito mais natural nos anos 80 do que agora e fez com que, com o passar dos anos, os discos do grupo fossem caindo num buraco cada vez mais escuro de esquecimento, do qual a Ektro recupera agora «The Strongest Power». Lançado originalmente em 1985, o disco foi o terceiro longa-duração do quinteto e alegadamente o seu melhor, em que a mistura de NWOBHM, blues rock (à Led Zepellin) e hard’n’heavy reminiscente de Judas Priest era mais equilibrada e funcionava na perfeição. Deem-no hoje a escutar às cegas a seguidores da moda retro e ouvirão algo do género “É uma mistura de Baroness, Free Fall, Rival Sons e Valkyria”. E terão o prazer de responder algo do género “Erraste. Por 30 anos”.
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MatSinner_BackToTheMAT SINNER
«Back To The Bullet»
AFM Records
4/5
Editado originalmente em 1990, entre os discos «Dangerous Charm» (1987) e «No More Alibis» (1992) da sua banda Sinner, «Back To The Bullet» foi o único álbum em nome próprio do vocalista e baixista Matt Sinner (considerando que os discos de Sinner não são discos em nome próprio). O motivo para tal era, na altura, um conjunto de temas um pouco mais focados no hard rock e menos no heavy metal clássico, pese embora à luz de hoje dê para perceber que todos os dez temas de «Back To The Bullet» tinham a imagem de marca sonora de Sinner: um inegável sentido melódico, as raízes hard rock e a engrenagem heavy metal em voga no final dos anos 80. Ainda assim, editado originalmente pela BMG (na altura os Sinner faziam a “passagem” da Noise Records para a Mausuleum), o álbum teve uma exposição mais vincada nos media, especialmente na Alemanha, para desaparecer irremediavelmente do mercado poucos anos depois, sem direito a reedições, reprensagens, nada. É, por isso, um bom trabalho da AFM Records pegar nele, espaná-lo sonicamente (Achim Köhler, produtor dos Primal Fear e Brainstorm, remasterizou o som) e apresentá-lo com nova capa, com uma faixa bónus («She’s Got The Look») e dois vídeos (dos temas «Call My Name» e «Every Second Counts»). Permite aos poucos mas determinados fãs da carreira de Sinner expandirem a sua colecção com uma obra que, no fundo, não é uma prima assim tão afastada do heavy metal tradicional da carreira de inícios dos anos 90 da banda liderada pelo lifer alemão.
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Sorcery _LegacyOfBloodSORCERY
«Legacy Of Blood»
Xtreem Music/Blood Harvest
4/5
Quem anda mesmo atento a esta página não deixou passar em claro o regresso às edições dos suecos Sorcery com «Arrival At Six» e, por esta hora, tem a sua dose de death metal sueco old school mais que tomada. Ainda assim, os coleccionadores do género que deixaram passar a estreia da banda de 1991, chamada «Bloodchilling Tales», têm uma comichãozinha na alma que não conseguem coçar com novos álbuns de originais. «Legacy Of Blood» vem solucionar esse problema, reeditando o álbum com o seu som original e mais duas faixas bónus, retiradas do 7” EP editado um ano antes, «Rivers Of The Dead». Os especialistas já sabem o que esperar: death metal selvagem da primeira vaga de morbidez sueca, no caso dos temas do EP com uma gravação (ainda mais) crua e uns teclados chill absurda e deliciosamente exagerados. A reedição é da Xtreem (em CD) e da Blood Harvest (em vinil, limitado a 500 unidades, 100 em preto, 400 em púrpura) e vale bem a pena.
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Mactätus CD Booklet_outlined.inddMACTÄTUS
«Blot»
Soulseller Records
4/5
Apesar de, recentemente, ser muito considerado e imitado, o black metal escandinavo mais atmosférico dos anos 90 tinha qualquer coisa que não consegue ser reproduzida pelas bandas actuais. Isso fica mais que claro nesta reedição de «Blot», o disco de estreia de 1997 dos noruegueses Mactätus, que lhes abriu as portas para um mini-estrelato underground e para a Napalm Records. O equilíbrio entre o extremismo gelado e naïve de bandas como os Emperor e um lado ambiental, dado pela forte presença dos teclados e ocasionais passagens acústicas, parece bem mais natural e descontraído do que as sonoridades “construídas” das bandas actuais e temas como «Vandring», que têm de tudo (velocidade, forte componente atmosférica e riffs que parecem cubos de gelo com os Dissection lá dentro) resumem bastante bem o que o black metal escandinavo da altura tinha para oferecer que nenhuma outra cena ou época foram capazes de oferecer, antes, durante ou depois. Editado originalmente pela pequena Embassy Productions (a mesma que lançou a estreia dos Gorgoroth) e rapidamente esgotado, «Blot» foi três anos depois reeditado para o mercado americano pela Moribund Records, escoando também a uma velocidade apreciável. Agora chega de novo ao formato de CD e, pela primeira vez, ao vinil, com uma edição em LP ultra-especial, fortemente coleccionável e bem aconselhável.
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ARMCHAIR_DIGIFILE.inddJEFF LYNNE
«Armchair Theatre»
Frontiers Records
4/5
Lançado originalmente em 1990, «Armchair Theatre» foi o álbum de estreia em nome próprio de Jeff Lynne, líder dos Electric Light Orchestra e co-fundador e elemento dos Travelling Willburys (banda que partilhou com George Harrison dos The Beatles, Bob Dylan, Roy Orbison e Tom Petty). Em «Armchair Theatre», tanto Harrison como Petty foram chamados como convidados especiais, ajudando a compor e a gravar um conjunto de temas que mostra a versatilidade de composição e a variedade de gostos musicais de Lynne. De temas de rock mais clássico à Elvis Presley a outros de delicioso acompanhamento de instrumentos clássicos indianos, passando pelas músicas que dão espaço à slide-guitar de George Haarrison para respirar, «Armchair Theatre» rege-se pelo bom gosto na escrita e classe na abordagem. A imagem de marca de ELO também está lá, pois claro, sobretudo em faixas como «Forecast», uma das duas de bónus que esta reedição propõe. Quase tão relevante agora, que chega ao mercado depois de quase uma década de indisponibilidade, como na altura em que foi originalmente editado, «Armchair Theatre» é uma colecção impressionante de faixas de rock clássico, ligeiramente progressivo e altamente coleccionável cuja reedição se justifica plenamente.
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Elektradrive_DueELEKTRADRIVE
«Due – 24 Years Carat Gold Edition»
Electromatric Music
3/5
Por qualquer motivo, os italianos Elektradrive, que começaram a sua carreira em meados dos anos 80 como uma banda de heavy metal para pouco depois mudarem a sua abordagem para hard rock/AOR fortemente influenciado por nomes como Journey, Whitesnake e Bon Jovi, detêm actualmente um estatuto de culto entre fãs do estilo. É certo que por alturas da edição original de «Due» – em 1989 – a cena italiana só conhecia este hard rock clássico de nomes internacionais e ter um projecto caseiro a fazê-lo de forma tão redonda e perfeita, com melodias quentes e todos os padrões cumpridos até ao ínfimo pormenor, era inovador e excitante. Mas porra, à luz de hoje os nove temas do disco soam datados, com demasiada força nos refrões e pouca nas guitarras e mesmo a remasterização desta reedição que comemora 24 (!) anos da obra deixa um pouco a desejar. Fica o mero interesse académico e de coleccionismo para fanáticos pelo AOR europeu dos anos 80. Que não são assim tão poucos como isso.
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Whitechapel_TheSomaticDefilementWHITECHAPEL
«The Somatic Defilement»
Metal Blade
4/5
No (pouco) tempo que leva como estilo, o deathcore já deixou perceber que não é uma mera moda passageira. Apesar da irritante popularidade da receita sem alma dos Bring Me The Horizon, bandas como os Job For A Cowboy ou os Winds Of Plague já provaram que o género pode muito bem ser uma actualização do death metal, que não o ameace realmente mas que constitua uma boa alternativa. E, entre os heróis percurssores do deathcore, há uma banda que se destaca: os Whitechapel. «The Somatic Defilement», o álbum de estreia do colectivo oriundo do Tennessee, apanhou toda a gente de surpresa com a brutalidade que preconizava, a dinâmica com que tratava o death metal e a incrível intensidade dos seus breakdowns. Negro como poucos (todo o disco é conceptual, baseado nos homicídios de Jack, o Estripador), estrategicamente sinfónico a espaços e invulgarmente épico, «The Somatic Defilement» é uma das mais perfeitas representações de como era o deathcore em 2007, na sua abordagem mais tradicional e pura. Por isso esta reedição, com o som remisturado e remasterizado para uma “actualização” completa, reveste-se de uma importância histórica, para além de manter a sua relevância enquanto proposta quase irresistível para fãs de deathcore mais inteligente, dinâmico e com muito poucos limites ao nível da brutalidade.
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Mayfair_BehindMAYFAIR
«Behind…»
Pure Steel Records
4/5
Quem acompanhou mais de certo a cena progressiva dos anos 90 conhecerá certamente os austríacos Mayfair. A banda fez parte de uma geração para quem a palavra “progressivo” não era um género musical, mas sim uma forma de fugir a géneros musicais predefinidos e procurar algo novo… No fundo, progredir. Por isso, o seu disco de estreia editado em 1993 «Behind», era uma espécie de festa para os sentidos de quem tinha a mente verdadeiramente aberta para novas experiências musicais e uma bizarria pegada para quem não tinha. Misto de rock e metal progressivo, heavy metal clássico (com óbvias influências de King Diamond) e alguns pózinhos de metal gótico, os seis temas de «Behind» encontraram terreno fértil junto de uma facção de público que apreciava o lado mais selvagem, dramático e pomposo do prog-metal, de bandas como Psychotic Waltz, Marillion ou, numa esfera um pouco mais longínqua, Voivod. Esta reedição da Pure Steel chega em boa altura. A banda acaba de reunir-se e está a gravar o primeiro material original que editará desde 1998 e a música de «Behind» permanece quase tão refrescante e original hoje como era na primeira metade dos anos 90. Depois, há os bónus. Um CD extra inteiro com as três faixas da maqueta de 1991 da banda «Find My Screams Behind These Gates», bem como oito (!) músicas inéditas, gravadas em ambiente de demo. Verdadeiramente coleccionável e inestimável, tanto para conhecedores como para novos fãs.
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Corsair_GhostsOfProximaCORSAIR
«Ghosts Of Proxima Centauri»
Shadow Kingdom Records
4/5
Editado originalmente em Fevereiro de 2011, este segundo EP dos norte-americanos Corsair vê-os chegarem a um ponto de não-retorno em termos de qualidade e criatividade. É certo que este doom rock/metal tem sido feito por muito boa gente ultimamente, mas a aura de descontracção, a queda para a escrita de grandes canções e as óbvias influências de prog-rock levam os seis longos temas de «Ghosts Of Proxima Centauri» mais para território dos Valkyrie do que propriamente para o campeonato de aspirantes a Black Sabbath que por aí andam. E, pese embora o álbum de estreia, homónimo, editado recentemente, seja uma proposta um pouco mais coesa e válida, este segundo EP da banda de Charlottesville consegue passar um vibe muito anos 70, ali algures entre o doom rock dos Pentagram e o blues rock dos Led Zeppelin, que tornará os Corsair um “alimento” muito apetecível para fãs de Graveyard ou Rival Sons, sem o pretenciosimo dos primeiros nem a rigidez retro dos segundos. No fundo, bom prog-rock dos anos 70 feito nos anos 10, com produção a condizer e jeito para as malhas.
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Overoth_KingdomOfShadowsOVEROTH
«Kingdom Of Shadows»
Hostile Media
2/5
Editado há quase três anos pela mão da própria banda, «Kingdom Of Shadows» foi o disco de estreia dos irlandeses Overoth, que praticam um death metal pela cartilha e negro como o breu. Há influências da escola norte-americana, algumas via Vader, com partes mais lentas a alternarem com a brutalidade e velocidade típica do estilo e alguns teclados mais atmosféricos a aparecerem aqui e ali. A receita não é mal engedrada; o problema é os Overoth repetirem-na a cada uma das nove faixas de «Kingdom Of Shadows», quase sem qualquer variação. E se este tipo de death metal muito anos 90, misto das sonoridades de Vader, Immolation e Sacred Sin, chega a ter alguma piada, depressa a perde quando o disco chega ao quinto tema e percebemos que os Overoth estão ali a tocar sempre a mesma coisa, mudando um arranjo ou outro. E, tendo em conta que esta reedição não traz bónus, som remasterizado nem nada de mais-valias, o melhor é virarmo-nos para outro lado.
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DeathRidesAHorse_TreeOfWoeDEATH RIDES A HORSE
«Tree Of Woe»
Infernö Records
4/5
Por cada nova banda que é formada apenas para facturar à custa de uma mini-moda qualquer passageira, o metal dá-nos duas das autênticas, cuja honestidade e sinceridade podem ser cheiradas a milhas. Os dinamarqueses Death Rides A Horse estão entre estas últimas. O quarteto de Copenhaga, liderado pela baixista e vocalista Ida, apresenta uma sonoridade que cruza o mais tradicional heavy metal com o groove do stoner, não muito diferente da dos Grand Magus. «Tree Of Woe» foi o seu segundo EP, editado em 2012 pela Deadbangers, em formato cassete e limitado a 200 unidades. Por isso, e pelos seus três temas cruzarem tão bem o que de melhor o heavy metal clássico tem com o mais descontraído e intenso dos stoners (dois guitarristas!), a Infernö Records faz um serviço público expondo-os a uma audiência mais vasta, numa edição mais abrangente. Ainda para mais quando as quatro faixas do EP de 2010 «Pantokrator» (incluindo uma surpreendente versão de «Fly To The Rainbow», dos Scorpions) são incluídas como bónus, assim como uma canção inédita chamada «Dominion Of Metal» que, segundo os próprios Death Rides A Horse, é inspirada por e dedicada aos Accept. É este o tipo de entusiasmo e de atitude que o heavy metal precisa. E se vier agarrada a musiquinha entusiasmante, de condão clássico mas poder bem moderno, tanto melhor. É o caso.
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TheEye_SupremacyTHE EYE
«Supremacy»
Debemur Morti Productions
4/5
The Eye, o projecto, poderia ser um daqueles casos de entidades underground que lançaram um bom disco no final dos anos 90 e que, devido a todo o ruído black metal da altura, foi rapidamente consumido e esquecido. Acontece que Vindsval, o mentor do projecto, formou de seguida os Blut Aus Nord e aí a história muda de figura. Primeiro porque há interesse em perceber o que fez o senhor antes de iniciar o trajecto de um dos mais importantes grupos da história do black metal. Depois porque, uma vez descoberto e ouvido com atenção, «Supremacy», o único disco de originais lançado por The Eye, se revela um exercício interessante e avassalador do género. Editado originalmente em 1997 pela Velvet Music International (que chegou a ter no seu catálogo bandas como Yyrkoon ou Wallachia), o álbum passou na altura como mais uma das inúmeras imitações do black metal ambiental, gelado e a atirar para o naturista de Burzum, mas à luz dos conhecimentos de hoje dá para perceber que o lado mais atmosférico de «Supremacy» tem uma aura cândida e uma certa inocência que é mais o legado dos primeiros discos de Summoning do que outra coisa. As partes mais agressivas são quase sempre tocadas a meio tempo, sempre com um olho do lado mais épico, dramático e melódico do black metal, numa clara herança espiritual de Bathory. Os temas resultam numa espécie de borrão de black metal atmosférico e ambiental, tocado com um teclado Casio e que recupera boa parte do espírito do estilo do final dos anos 90, discos de Limbonic Art incluídos. Ou seja, trata-se de um bom regresso ao passado, numa obra que estava esgotadíssima e se pensava perdida e que agora a Debemur Morti recupera – e bem – para estudo e bons momentos de prazer auditivo dos fãs de Blut Aus Nord e não só.
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HeavensCry_PrimalPowerAddictionHEAVEN’S CRY
«Primal Power Addiction»
Prosthetic Records
5/5
A quem andou mesmo muito distraído durante o ano passado, temos a lembrar que os canadianos Heaven’s Cry lançaram, no seu regresso à actividade, um dos grandes – senão o grande álbum – de metal progressivo de 2012. Ainda no rescaldo dessa brilhante edição, a Prosthetic decidiu recuperar o fundo de catálogo da banda, hoje em dia virtualmente impossível de encontrar à venda em qualquer lado devido à falência e encerramento das editoras que os disponibilizaram inicialmente. «Primal Power Addiction» foi em 2002 o segundo disco do colectivo do Quebéc, aquele em que os actuais guitarrista Éric Jarrin (ex-Despised Icon) e baterista René Lacharité (ex-Necrotic Mutation) se estrearam no grupo. Revelava uma maior clarividência em termos de composição em relação ao seu antecessor, sem no entanto abrandar na exigência técnica e progressiva. Por isso, os arranjos melódicos funcionam muito melhor do que em «Food For Thought Substitute», encaixando ao mesmo tempo de forma mais articulada com a brilhante secção rítmica (completa com o dotadíssimo baixista Sylvain Auclair). O resultado é um disco de metal verdadeiramente progressivo que pega nos universos de nomes como Cynic ou Atheist e os junta à estética mais cuidada, melódica e de atenção ao detalhe de propostas como Tiles ou Enchant, com faixas como «Divisions» a pavimentarem claramente o caminho para grupos como TesseracT. E depois há a versão de «Beds Are Burning», de Midnight Oil, transposta para o universo de Heaven’s Cry como se fosse uma música sua escrita propositadamente para este álbum, e que é como um enorme orgasmo depois de longo e satisfatório sexo bom. Se «Primal Power Addiction» envelheceu estilisticamente bem e se já fazia falta ser mostrado a uma nova geração que pensa que “progressivos” são os Dream Theater, esta versão remisturada Yannick St. Amand e remasterizada por Jens Bogren é a melhor coisinha que podia ter acontecido ao estilo em muito tempo.
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HeavensCry_FoodForThoughtHEAVEN’S CRY
«Food For Thought Substitute»
Prosthetic Records
4/5
«Food For Thought Substitute», o disco de estreia dos canadianos Heaven’s Cry editado originalmente em 1996 foi, a par do que aconteceu com «Primal Power Addiction», relançado no final de Janeiro pela Prosthetic Records, com som remisturado e remasterizado respectivamente por Yannick St. Amand e Jens Bogren. E se o interesse, a nível musical, não é tão vincado nesta proposta como na outra, isso deve-se única e exclusivamente ao facto de «Primal Power Addiction» ser um disco perfeito para o metal progressivo de 2002. Seis anos antes, no entanto, «Food For Throught Substitute» também não era um mau álbum, seguindo talvez de forma mais submissa os padrões estilísticos da altura (nomeadamente de bandas como Dream Theater ou Fates Warning) e concentrando-se mais em acumular partes técnicas umas a seguir às outras do que propriamente em construir canções com sentido. Isso não significa que os Haven’s Cry não fizessem música interessante e exigente – faziam-na, sobretudo para os parâmetros de meados dos anos 90 – mas dado o que sabemos hoje, «Food For…» parece mais um disco de desbravar de caminho para «Primal Power Addiction» do que outra coisa. Ainda assim, o facto da banda ter nesta fase três guitarristas – um deles apenas dedicado a dedilhar – dá a este álbum alguns arranjos fora do comum e que permitiam perceber que os Heaven’s Cry não eram uma banda “qualquer” de metal progressivo. E, pelo sim pelo não, o melhor é comprar ambas as edições para completar a magnífica discografia deste extraordinário grupo.
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BolderDamn_MourningBOLDER DAMN
«Mourning»
Shadow Kingdom Records
5/5
Já todos ouvimos falar, pelo menos uma vez, de “bandas obscuras” dos anos 70 cujos álbuns – pequenas pérolas negras – esperam no fundo de uma prateleira qualquer, cheios de pó, para serem descobertos. Pois bem, os Bolder Damn são uma dessas bandas. Com uma existência fugaz entre o final dos anos 60 e o início dos 70, o grupo de Fort Lauderdale, E.U.A., gravou apenas um álbum de originais – este – que prensou numa pequena quantidade e distribuiu apenas em concertos locais. No entanto, trata-se de um autêntico mundo de rock psicadélico com ligações ao doom rock que urge descobrir, sobretudo por quem pensa que só bandas como os Black Sabbath e os Pentagram inventaram a roda. Profundamente original, variado e inventivo, «Mourning» pode muito bem ser o elo de ligação que faltava entre o rock mais psicadélico dos The Beatles e o doom rock obscuro, afinado em baixo e lento dos Black Sabbath. O disco dos Bolder Damn tem ambas as coisas e tudo o que está no meio, com natural ênfase para a longa e épica canção «Dead Meat» que, em 16 minutos, pega no rock psicadélico, coloca-lhe algum blues às costas e manda-o para as profundezas do doom metal, com a originalidade de quem estava a forjar um género, ao invés de copiar ídolos. A reedição da Shadow Kingdom tem o som remasterizado e um folheto com toda a história da banda. E incide uma tardia mas justíssima luz sobre um dos grandes tesouros musicais de início dos anos 70.
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AmonRa_InTheCompanyAMON RA
«In The Company Of The Gods»
Pure Underground Records
2/5
“US metal tradicional para mentes abertas”. É assim que o comunicado de imprensa descreve «In The Company Of The Gods», o único álbum lançado pelos Amon Ra, banda liderada pelo guitarrista Byron Nemeth, na altura – 1992 – acabadinho de sair dos influentes Sacred Heart. Mas voltemos à afirmação ousada da Pure Underground. Quando falam em “mentes abertas” o que querem provavelmente dizer é “gente com pachorra”. Nomeadamente para um vocalista que não consegue ter força – nem tom – suficiente para cumprir as expectativas de uma banda de power metal americana de início dos anos 90 com mitologia egípcia como principal inspiração. Depois, há os teclados de Jimm Motyka (com quem Nemeth trabalhou mais tarde no seu projecto em nome próprio). São grandes demais, inapropriados a espaços, e com um generalismo aflitivo. Pelo meio destas aberrações existe uma base interessante de metal clássico norte-americano que, infelizmente, não chega para todas as coisas más que temos de aguentar ao longo das 12 faixas do disco (é que ainda por cima há duas bónus). E elas incluem igualmente partes acústicas a roçar o new age que Nemeth se lembra de colocar a esmo pelo álbum. Não há “mente aberta” que aguente isto, mesmo que uma reedição em vinil limitada a 333 cópias seja uma tentação para coleccionadores do género.
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SOM 265LP Gatefold V Alt.inddIN SOLITUDE
«In Solitude»
Season Of Mist
3/5
Dificilmente os suecos In Solitude poderiam ter acertado mais a meio do alvo do hype. Formados na primeira metade dos anos 00, foi em 2005 e 2006 que começaram a dar nas vistas, com duas maquetas em que os riffs dos Black Sabbath, dos Mercyful Fate e dos Iron Maiden se misturavam de forma mágica e surpreendentemente simples, enquanto o vocalista Pelle Ahman (na altura com 15 anos!) cantava candidamente sobre ocultismo, satanismo e magia negra. A confirmação chegou com o álbum de estreia «In Solitude», editado em 2008 pela High Roller Records, e a consagração chegou em 2011 quando a Metal Blade pegou neles e lhes editou o segundo disco, «The World. The Flesh. The Devil». O heavy metal tradicional e ocultista estava ao rubro e assim continua, pelo que parece (obrigado Ghost), e entretanto «In Solitude» esgotou e a editora original perdeu os direitos e reprensar o disco. A Season Of Mist entrou então em cena e reedita agora «In Solitude» com duas faixas bónus («Hidden Dangers» e uma versão demo de «Faceless Mistress») para quem só agora chegou ao fenómeno e quer ver de onde ele provém. É fácil gostar do disco pela forma desarmante – e, no entanto, genial – como os suecos abordam as suas influências musicais e as usam para uma composição que fica a dever muito pouco aos clássicos do estilo, sem abusar na produção, nos ganchos ou no peso. O que não retira mérito, visão e esclarecimento a quem, do nada, apostou nos In Solitude antes do hype e comprou a edição original deste disco.
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Septicflesh_MysticPlacesOfSEPTICFLESH
«Mystic Places Of Dawn»
Season Of Mist
3/5
Se o mundo do metal tende a glorificar passados distantes em detrimento de presentes demasiado próximos para serem devidamente apreciados, há uma coisa em que o consenso parece ser geral: o regresso dos gregos Septicflesh à actividade em 2007, depois de um hiato de quatro anos, fê-los produzir os dois melhores discos da sua carreira: «Communion» (2008) e «The Great Mass» (2011). O entusiasmo renovado do seu dark/death/black metal épico, sinfónico e de influências étnicas praticamente não tem paralelo com o passado musical da banda mas, paradoxalmente, os novos fãs que os Septicflesh trouxeram para o seu lado com ambos os álbuns procuram agora avidamente as raízes de tamanho portento de sonoridade. E, no mais profundo underground, encontrarão «Mystic Places Of Daw», o trabalho que em 1994 constituiu o primeiro longa-duração do colectivo de Atenas. Se, por um lado, o seu interesse académico é inegável, porque permite descortinar as influências primordiais da banda (sobretudo porque esta reedição é remasterizada e contém, como bónus, todas as quatro faixas do EP de 1991 «Temple Of Lost Race»), por outro lado é notório que o primeiro material gravado oficialmente pelos Septicflesh não só não envelheceu bem como não chega aos calcanhares da sonoridade recente do grupo. O death/dark metal de influências atmosféricas e ligeiramente sinfónicas de «Mystic Places Of Dawn» representa bastante bem o espírito quase naive do underground da primeira metade dos anos 90, mas à luz do que conhecemos hoje, não passa de um conjunto de temas com mais ambição do que talento, com o tal condão de ser a casa de partida de uma banda que soube evoluir a partir daí e tornar-se numa das mais válidas propostas de metal épico e grandioso da actualidade.
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Requiem_WithinDarkenedDisorderREQUIEM
«Within Darkened Disorder»
MDD Records
4/5
Nascidos no final da década de 90, os suíços Requiem são de um tempo em que o underground se orgulhava de produzir pelo menos uma boa banda de death metal por país. Logicamente, quem pratica a vertente pura, brutal, técnica e livre de hypes que os Requiem praticam não se livra das valentes dificuldades que o trio teve de enfrentar na última década e meia para editar os seus cinco álbuns de originais. A última foi a falência da editora que lançou «Within Darkened Disorder», que fez este disco de 2011 praticamente desaparecer dos escaparates e não gozar de qualquer tipo de promoção. Daí esta reedição, com o som remasterizado, fazer todo o sentido. Isso e o facto do death metal dos Requiem ser, em «Within Darkened Disorder», do mais brutal, técnico e coeso que é possível ouvir na Europa actualmente, com a escola polaca de death/black metal de bandas como os Behemoth sempre debaixo de olho mas com um enorme sentido de personalidade musical própria. Quem tiver um fraquinho por death metal punitivo, que desfila riffs matadores uns atrás dos outros e que não dá grande espaço ao ouvinte para respirar, não deve perder esta segunda oportunidade de conhecer os Requiem e a sua proposta. É mais que tempo.
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Trelldom_TilEttAnnetTRELLDOM
«Til Et Annet…»
Hammerheart Records
4/5
Editado em 1998 (o mesmo ano em que se juntou aos Gorgoroth), «Til Et Annet…» foi o segundo disco de estúdio de Gaahl e dos “seus” «Trelldom». Marcava uma definitiva evolução em relação ao seu antecessor, «Til Evighet…», editado um ano antes, sobretudo ao nível da qualidade e variedade vocal, ficando nos anais da história do black metal nórdico como um dos seus mais ousados passos. A estratégia da música de «Til et Annet…» era simples: construir um muro maciço de riffs gelados, repetidos quase até ao ponto do hipnotismo, por vezes a meio-tempo («Slave Til Den Kommende Natt»), outras vezes com a rapidez do mais extremo black metal («Vender Meg Mot En Et Kommende»), em que Gaahl colocava depois todo o seu talento vocal. E isso implica tons perfeitamente odiosos que personificam o mais nórdico dos black metais, guinchos absolutamente desesperantes, tons arrepiantes mas melódicos ou, como acontece na longa e épica «Sonardreyri», que encerra o disco, múltiplas camadas de tudo o que o senhor consegue fazer com a garganta, criando aquele que será possivelmente o percursor do drone black metal. Por tudo isto, «Til et Annet…» permanece como exemplo acabado do que o melhor a Noruega podia oferecer em termos de metal extremo no final dos anos 90, agora reeditado pela Hammerheart em formato CD e LP, depois de alguns anos de “seca” no mercado. E em boa altura, pela sua relevância artística e histórica.
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Nunslaughter_ChristmassacreNUNSLAUGHTER
«Christmassacre»
Hells Headbangers Records
4/5
Originalmente lançado a 25 de Dezembro de 2004, no final de um ano particularmente activo para os norte-americanoss Nunslaughter em termos de edição de EPs, «Christmassacre» continha quatro valentes cuspidelas na cruz, em forma do death metal blasfemo que é o ADN do grupo. Se «Deathlehem» é a habitual festa underground da banda liderada pelo baxista e vocalista Don Of The Dead, com as influências thrash a fazerem das suas, «Unholy Scriptures» é uma autêntica lufada de ar fresco no registo, lento e rockeiro como se apresenta. O lado B, composto pelos temas «Jewrusalem» e «Unclaimed Cadaver», recupera a velocidade dos Nunslaughter em duas rápidas propostas de death/black/thrash que são a essência musical deste desarmante projecto. Depois de se tornar uma espécie de culto de coleccionadores (apenas 986 cópias em vinil verde ou vermelho foram fabricadas), «Christmassacre» regressou no final do ano passado às máquinas de produção para esta reedição, de novo em vinil 7” (pois claro) de edição limitada. O espírito natalício dificilmente alguma vez foi mais retorcido…
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Deceased_SupernaturalAddictionDECEASED
«Supernatural Addiction»
Hells Headbangers Records
4/5
No final dos anos 90, quando os norte-americanos Deceased lançaram este seu quarto álbum de originais, o mundo do metal estava a mudar. O death metal tinha deixado de ser visto como uma coisa extrema ou inovadora e o black metal – particularmente o escandinavo – estava “quente” como uma brasa acabada de retirar do fogo, ofuscando e secando tudo à sua volta. Por isso, a curva ligeiramente à esquerda de «Supernatural Addiction», em relação aos seus antecessores, foi levada de ânimo leve. Ao longo dos anos no entanto, à medida que as pessoas iam redescobrindo o death metal, o disco editado pela Relapse foi ganhando o estatuto que merece como obra de viragem do death metal para algo mais tradicionalmente heavy metal que havia de influenciar indelevelmente uma série de bandas, das quais a mais importante serão sem dúvida os Arch Enemy. Numa altura em que está prestes a celebrar 13 anos, «Supernatural Addiction» arrasta os seus ossos de death/thrash/heavy metal para fora da tumba e ataca novamente nesta reedição da Hells Headbangers, que inclui, como faixas bónus, cinco dos oito temas do álbum nas suas versões demo. Há uma edição em vinil a caminho também.
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AcidWitch_WitchtanicHellucinationsACID WITCH
«Witchtanic Hellucinations»
Hells Headbangers Records
4/5
Quando os Acid Witch lançaram o seu disco de estreia em 2008, chamado «Witchtanic Hellucinations», não havia o hype, que hoje existe, de tudo o que é psicadélico e “horror”. Por isso, a cena não sabia muito bem o que havia de fazer com o álbum. Muita gente não compreendeu a fusão de death metal, doom psicadélico, ambiente de banda-sonora de filme de terror e NWOBHM que o duo praticava, mas os Acid Witch conseguiram ainda assim granjear uma boa dose de fãs com a maneira descomprometida e profundamente negra como apresentavam e misturavam todas as suas influências. «Witchtanic Hellucinations» foi, por isso, ganhando estatuto de culto à medida que os anos passavam. Entretanto, o grupo transformou-se em quarteto, editou dois EPs e mais um álbum de originais, evoluindo a sua sonoridade numa lógica de continuidade e refinamento, mas este disco de estreia havia de permanecer como um atestado do que o entusiasmo mais puro pode fazer quando não olha a modas passageiras, hábitos instituídos ou sequer às mais básicas leis da história do metal. A Hells Headbangers reedita esta pérola negra agora em CD, vinil e cassete com capa renovada, para quem já não consegue encontrar a edição da Razorback Records.
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BestialWarlust _SatansFistBESTIAL WARLUST
«Satan’s Fist»
Hells Headbangers Records
3/5
Ano de 1996. Os Bestial Warlust vinham de dois álbuns de originais («Vengeance War ‘Till Death» em 1994 e «Blood & Valour» em 1995) que os tinham tornado uma espécie de mini-fenómeno no underground do black/death metal mais blasfemo, mas as coisas estavam a mudar. K.K. Warslut já havia saído do grupo havia algum tempo para formar os “seus” Deströyer 666 e, agora, era Damon Bloodstorm que saída para se dedicar aos Abominator. Marcus Hellcunt (bateria) e Skullfucker (guitarra, voz) decidiram então gravar uma maqueta de três temas que mostrasse que os Bestial Warlust ainda estavam vivos e que podiam sobreviver às adversidades. Foi assim que nasceu «Satan’s Fist», registo de puro black/death metal odioso e blasfemo, gravado em condições caseiras e que representa tudo o que o lado mais extremo do metal australiano tinha a meio da década de 90. Riffs cortantes, ritmos galopantes e uma voz que faz os fãs de Sarcofago salivar. Auto-financiado e editado em círculos restritos pela banda na altura, a maqueta encontra agora caminho para um EP lançado em CD e vinil 12”, para gáudio dos coleccionadores de death/black metal obscuro, satânico e extremo.
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Strike_BackInFlamesSTRIKE
«Back In Flames»
Jolly Roger Records
4/5
Nascidos no final dos anos 70 e com metade da formação composta por norte-americanos na altura radicados em Itália, os Strike foram uma das primeiras bandas – senão a primeira, mesmo – a editar um álbum de heavy metal naquele país. O disco homónimo de estreia do grupo saiu em 1981 e demonstrava claras influências norte-americanas do estilo (em oposição ao que se passava nas Ilhas Britânicas com o NWOBHM por exemplo), naturais não apenas devido ao facto de um dos seus guitarristas e do baterista/teclista serem americanos, mas também porque desde cedo os Strike começaram a cumprir o circuito de concertos de bases da NATO em Itália. «Back In Flames» recupera os dez temas desse disco e acrescenta-lhes três faixas da maqueta que a banda – na altura já com uma formação ligeiramente diferentes – gravou em 1985, mais viradas para o “true” heavy metal americano. Em «Strike», as influências hard rock ainda se encontram bem diluídas no heavy metal do quarteto de Nápoles, funcionando à base de riffs extremamente bluesy, quase à AC/DC, e melodias clássicas que são o corpo e alma de bandas como Kiss ou Boston. Por isso, «Back In Flames» é não apenas um pedaço da história do heavy metal clássico italiano recuperado, como uma boa alternativa a bandas modernas com som velho que, no fundo, querem apenas recuperar o espírito, atmosfera, riffs e solos de temas como «Heavy Metal Army» ou «Short Cut To Hell».
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EternalSolstice_MourningETERNAL SOLSTICE/MOURNING
«Split»
Vic Records
4/5
Tanto os Eternal Solstice como os Mourning foram bandas que marcaram os primeiros tempos do death metal holandês no início dos anos 90, sendo que a primeira ainda está activa e a segunda desvaneceu-se por volta de 1997. Este split foi originalmente gravado para a Peaceville Records em 1990, mas reza a história que os Mourning não terão entregue o master a tempo, tendo o lançamento sido feito posteriormente (em 1992) pela Midiam Records, com uma pequena prensagem feita também pela Cyber Music. Desde aí, o split esgotou e tornou-se uma espécie de coqueluche dos coleccionadores de death metal old school nas últimas duas décadas. O motivo é simples: o death metal bruto, mórbido e com fortes raízes punk de ambas as bandas (com a variação dos Mourning terem também influências doom e um ocasional saxofone perturbador nos seus temas) resume bastante bem a génese do género holandês, o tal que “deu” ao mundo coisas como os Gorefest, Asphyx ou Pestilence. Apesar de ligeiramente datada, a sonoridade dos Eternal Solstice e Mourning neste split é a mesma que dezenas de jovens bandas tentam imular nos seus discos de death metal retro e tem um inegável valor histórico. Para já não falar do dinheiro que esta reedição vai fazer poupar a quem, até aqui, podia apenas encontrar cópias avulsas no Ebay a preços obscenos.
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Zaklon_ChornaeLisceZAKLON
«Chornae Lis’ce»
Gardarika Musikk
4/5
Originalmente editado em Dezembro de 2011 em versão CD-r profissional limitada a 50 unidades, «Chornae Lis’ce», segundo álbum do projecto de black metal pagão Zaklon, gerido pelo bielorrusso Temnarod, permanecia como um dos mais bem escondidos tesouros do “black metal da floresta”. Até hoje. Agora, com esta reedição do disco em digifile com uma tiragem bem mais lata, todos os amantes do estilo fortemente naturista, tão radical na sua abordagem gelada aos riffs como na atmosfera melancólica com que a corta, podem ter acesso a este candidato a clássico do black metal bielorusso. A produção é caseira, como se aconselha neste tipo de lançamentos, mas suficientemente clara para percebermos que Temnarod sabe perfeitamente o que quer fazer e como fazê-lo. O resultado são nove faixas de puro black metal pagão, com letras e títulos na linguagem local, perfeitamente capaz de encantar fãs de Burzum e afins, com uma abordagem suficientemente solene para convencer os mais cépticos e uma execução suficientemente competente para ser levado a sério.
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SuicidalAngels_EternalDominationSUICIDAL ANGELS
«Eternal Domination»
NoiseArt Records
4/5
Puxados para a frente do revivalismo thrash europeu às costas de editoras como a Nuclear Blast e de promotores como a Rock The Nation, os gregos Suicidal Angels podem ser confundidos com oportunistas que aproveitam a band wagon, mas não é isso que a música deles deixa de mostrar qualidade. Sobretudo no álbum de estreia «Eternal Domination», lançado originalmente em 2007, antes da explosão de popularidade do estilo e da banda. Nele, o quarteto de Atenas atira-se ao seu thrash directo e agressivo, o mais novo na linha de sucessão de nomes como Slayer ou Kreator, com muito poucas reservas ou limites. Apenas pura agressividade, velocidade e riffs perigosamente afiados. Como facilmente se depreende, não há nada de novo na abordagem dos Suicidal Angels que os fãs de thrash não tenham já em casa, mas paradoxalmente é precisamente isso que torna os 11 temas do disco coisas tão deliciosas: uma banda underground, cheia de fúria, motivação e sonhos, a tocar a música que quer ouvir. Hoje em dia as coisas são um pouco diferentes, mas esta é a oportunidade de ouvirmos os Suicidal Angels mais selvagens, extremos e autênticos a que temos direito. Embora a edição original da Old School Metal Records continue a ser mais apetecível, nem que seja pela sua escassez no mercado, este relançamento da NoiseArt Records vem acabar com uma “caça ao disco” que os fãs do grupo e do thrash em geral têm vindo a prosseguir desde que os Suicidal Angels saíram do anonimato. Isso e alguns bónus, juntamente com uma qualidade sonora que a mistura de Colin Davis ajuda a manter actual e muito decente, fazem desta nova versão do trabalho uma compra apetecível.
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Gorelust_ReignOfLunancyGORELUST
«Reign Of Lunacy»
PRC Music
3/5
Apesar de tocarem um death metal brutal visionário em 1995, altura em que «Reign Of Lunacy» foi originalmente lançado, os canadianos Gorelust não foram mais longe, terminando a carreira um ano depois. E, se por um lado, é louvável a resistência à tentação da banda se reunir para facturar mais meia dúzia de dólares canadianos à conta do saudosismo, por outro lado a reedição do seu único álbum de originais corre o sério risco de perder-se entre tantos lançamentos válidos de death metal que são lançados todas as semanas. Não que «Reign Of Lunacy» não valha a pena: é um pedaço de música bruto, coeso e técnico capaz de fazer as delícias de fãs de bandas como os Monstrosity ou Suffocation. O problema é que, por mais que os nove temas do disco demonstrem uma visão e talento por parte dos Gorelust, que podiam estar perfeitamente a editar o álbum hoje em dia que não soaria datado nem sairia a perder perante a concorrência, a verdade é que «Reign Of Lunacy» teve o seu espaço e tempo e, quem os perdeu, tem hoje em dia jovens bandas, activas e a precisar de apoio, que merecem igual ou mais atenção. Por mais que a editora diga que reedita «Reign Of Lunacy» para desvalorizar o bootleg merdoso da Cryptic Soul Productions ou para acabar com as cópias da edição original à venda por 100 dólares no Ebay, continua a ser mais apelativo dar dinheiro pelo novo dos Incantation do que por isto.
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Veér_TheMeasureOfVEÉR
«The Measure Of Waste»
Neverheard Distro
4/5
Depois de oficialmente editado em CD, numa co-produção da Neverheard Distro e da portuguesa Caverna Abismal Records, o disco de estreia de 2009 dos húngaros Veér chega agora aos formatos de cassete (55 cópias) e LP (300 cópias), ambos numerados manualmente. E percebe-se porquê: a edição original era limitada a 1.000 unidades e terá causado algum furor na comunidade black metal local e europeia, via a mistura do extremismo negro dos Celtic Frost e da tendência para o riff dos Satyricon. Os nove temas gozam de uma produção seca e reduzida ao essencial, que dá ao álbum uma aura ainda mais estéril e que beneficia o black metal do grupo, que conta com o baixista dos Witchcraft húngaros, M., como guitarrista. Apesar de não ser brilhante ao nível da composição e das ideias apresentadas, a sonoridade de «The Measure Of Waste» era suficientemente competente e bem feita para justificar a tal excitação ao nível do black metal mais underground que causou e, por relação causa/efeito, chegar às suas versões em cassete e LP com uma aura de culto própria que transforma ambos os formatos em itens de coleccionador bem apetecíveis.
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Horsebak_LocrianHORSEBACK & LOCRIAN
«New Dominions»
Relapse Records
4/5
Lançada originalmente no ano passado pela Utech Records numa edição limitadíssima e em formato vinil, esta colaboração entre os norte-americanos Horseback e Locrian é demasiado boa, demasiado relevante para ficar restringida a poucas centenas de sortudos. Para quem não sabe, os Locrian personificam a cena experimenal de Chicago com uma mistura de drone e rock, enquanto os Horseback têm encantado meio mundo com uma fusão de doom psicadélico, drone, black metal e pós-rock. Juntos, ambos os projectos compuseram e gravaram meia dezena de longas faixas em que o experimentalismo e o psicadelismo reinam, com proeminência de ambientes hipnóticos, pós-industriais, drone (pois claro) e rock sofisticado. Nos seus 14 minutos, a faixa «Our Epitaph» é bem capaz de ser a que melhor representa a colaboração, com o som negro, assustador e aventureiro dos Locrian a ser domado, vergado e articulado pelos Horseback até se transformar numa espécie de banda sonora psicadélica de um filme mudo que nos vai passando pela frente dos olhos – de preferência fechados – enquanto escutamos a faixa. Fãs de Earth, Neurosis, Sunn O))) ou Godspeed You! Black Emperor são especialmente atreitos a este tipo de som. Esta reedição em CD viu o som do álbum ser remasterizado por James Plotkin e serem acrescentadas três (!) faixas bónus, que não faziam parte da edição original.
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TheGatesOfSlumber_TheAwakeningTHE GATES OF SLUMBER
«The Awakening»
Abyss Records
4/5
Quando os norte-americanos The Gates Of Slumber lançaram o seu disco de estreia, «The Awakening», em Agosto de 2004, o doom metal estava longe de ser o hype que hoje é. Ainda assim, a edição da Final Chapter Records apanhou desprevenidos todos os que não tinham dado pela banda liderada por Karl Simon numa das suas três maquetas anteriores. Afinal, os While Heaven Wept tinham apenas editado o seu segundo disco de originais um ano antes, os Candlemass andavam “perdidos” com «Chapter IV», os Solitude Aeturnus tinham de provar ainda a boa forma de «Beyond The Crimson Horizon» e bandas como os Pentagram e os Black Sabbath eram, cada vez mais, ecos do passado que ressoavam no presente. Por isso, o doom metal de inspiração clássica dos The Gates Of Slumber caiu como sopa no metal no prato dos metaleiros com tendência para notas mais melancólicas, decadentes e lentas, numa espécie de ponte entre o lado negro do doom e o espírito do metal clássico. As vocalizações ferrugentas de Simon, os leads de classe e os momentos de verdadeiro desespero funerário de «The Awakening», equilibrados com outros de groove que deixavam antever o que o stoner haveria de fazer quase duas décadas depois, tornam o disco uma espécie de clássico do doom/heavy metal de meados dos anos 90 que não perdeu nem relevância nem valor artístico com o passar dos anos. Esta reedição da Abyss conta com uma introdução que a versão original não tinha, bem como com uma faixa extra, por isso é material mais ou menos obrigatório.
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MULTIPLEX
«World»
Xtreem Music
4/5
Formados no final dos anos 80, os Multiplex rapidamente ascenderiam ao estatuto de banda de culto entre os mais fanáticos tape traders do death metal, sobretudo devido à exoticidade de serem japoneses. Não que o death metal brutal, fortemente influenciado pelo grindcore, praticado pelo quinteto de Tóquio não tivesse o seu valor. Sobretudo quando o grupo lhe aplicava uma receita com muito poucas barreiras em termos de intensidade ou brutalidade, com ocasionais recursos a alguma electrónica para adensar o ambiente original das suas composições. «World» foi o único álbum de originais lançado pela banda, em 1992, com ajuda da extinta Selfish Records, e continha uma dezena de faixas do death metal apocalíptico, sufocante e ligeiramente schi-fi da banda. Hoje em dia soa um pouco datado, mas certamente deliciosamente datado para quem viveu o underground do death metal da primeira metade da década de 90. Esta reedição da Xtreem Music traz o álbum original, assim como as três faixas do split «Grinding Sindicate» de 1992 (com Cacofonia, Anarchus e Gibbed), as cinco músicas do split «Thrashing Deathpower» de 1991 (com Satanic Hellslaughter e Gibbed) e as três canções da maqueta de estreia da banda, lançada em 1991. Todos os primeiros passos musicais dos Multiplex, à volta do seu único álbum de originais, reunidos num só lançamento que será visto como uma verdadeira preciosidade por coleccionadores de death metal old school.
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EXXPLORER
«A Recipe For Power»
Pure Steel Records
4/5
Apesar de terem lançado três importantes álbuns para o US power metal nos anos 90, os Exxplorer nunca recolheram grandes frutos comerciais do seu talento e chegaram mesmo a separar-se (durante uma década, até à recente reunião e subsequente disco) depois de «Coldblackugly» em 1996. «A Recipe For Power» foi o segundo trabalho de originais do grupo de Nova Jersey e aquele onde o seu heavy metal tipicamente americano melhor se equilibrou com a abordagem mais progressiva que haveria de ser inteiramente assumida na proposta seguinte. Por consequência, apesar da estreia «Symphonies Of Steel» continuar a ser considerada o grande disco “clássico” dos Exxplorer, foi em «A Recipe For Power» que o grupo verdadeiramente atingiu o pico de forma da sua primeira encarnação, com a força do heavy metal, um vocalista capaz de evocar grandes melodias e uma abordagem que procurava novas soluções e estruturas de forma sofisticada e natural. Apesar da edição original da Massacre ainda ser possível de adquirir em algumas lojas online, embora a preços cada vez mais exorbitantes, a Pure Steel faz aqui um bom trabalho em recuperar esta autêntica pedra preciosa do lado mais progressivo do US power metal da década de 90, sobretudo porque a reedição é feita em LP, numa tiragem limitada a 500 unidades: 400 pretas, 100 coloridas. Vale a pena.
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DEATH
«Spiritual Healing»
Relapse Records
5/5
Já aqui foi sobejamente elogiado o legado deixado por Chuck Schuldiner, através dos Death, para o universo do metal. «Spiritual Healing», o terceiro álbum de originais da banda, lançado originalmente em 1990, é o título que se segue na série de reedições que a Relapse tem feito do catálogo dos Death, com a “benção” da mãe do falecido Chuck, Jane Schuldiner. Foi o disco que começou a transição do estilo mais brutal dos primeiros tempos dos Death para o death metal progressivo, complexo e multifacetado que havia de tornar-se a imagem de marca do grupo. «Spiritual Healing» marca também uma evolução na temática das canções, em que a crítica social começou a substituir a inspiração puramente gore dos primeiros discos. Para todos os efeitos, tem a importância espiritual – e o valor artístico – de ser um dos primeiros discos de death metal verdadeiramente técnico da história do metal, sem qualquer tipo de vergonha em incluir grandes solos e com os riffs bem colocados ao alto. Esta reedição conta com dois (!) discos bónus. Um contém versões alternativas, maquetas, jams em ambiente de ensaio e pistas de apenas um instrumento. O outro propõe a gravação de um concerto dos Death em 1990, com a formação que gravou «Spiritual Healing», assim como três temas do álbum «Human» tocadas em ambiente de ensaio, antes do disco ser gravado. Mais uma vez aqui, como nas outras reedições do catálogo dos Death, um trabalho de pesquisa, recolha e oferta aos fãs que torna «Spiritual Healing», na sua versão de 2012, uma obra (ainda mais) histórica e obrigatória.
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MANDIBULA
«Sacrificial Metal Of Death»
Ethereal Sound Works/Caverna Abismal Records
3/5
Depois de editada em cassete em 2010, esta maqueta de estreia do projecto Mandibula, operado pelo multi-instrumentista portuense que responde pelo mesmo nome, propagou-se pelo underground nacional como fogo numa serra algarvia no Verão. O motivo é simples: para além de uma edição limitada a 200 unidades, o thrash/black metal negro, pútrido e cantado em português de «Sacrificial Metal Of Death» presta-se ao culto por parte de quem tem o underground nas veias. Primeiro porque usa meios-tempos rítmicos como (quase) nenhuma outra banda nacional, colocando no mesmo saco estilístico bandas como Asphyx, Hellhammer e Filii Nigrantium Infernalium (por causa da poesia necro). E, se em temas como «Flagelação», a coisa descai para o doom funerário, fá-lo de forma natural e nada forçada, como se fosse a coisa mais natural do mundo para os Mandibula. Do outro lado do espectro está uma gravação que, apesar de bem visceral, poderia ser um pouco mais clara e, obviamente, alguma atabalhoação técnica que, se por um lado ajuda a dar um charme de alguma ingenuidade ao lançamento, por outro disfarça mal as limitações que Mandibula (ainda) tem. Ainda assim, trata-se de um trabalho de estreia que vale definitivamente a pena ouvir e que enriquece de forma consubstancial o nosso underground. Quem “falhou” uma das 200 cassetes originais, tem agora disponível esta reedição em CD, para um consumo mais massivo. Mas nem por isso menos ritualista.
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BONG
«Bong»
Ritual Productions
5/5
Quando os norte-americanos Bong editaram o seu primeiro álbum de originais, homónimo, em 2009, já não eram nenhuns estranhos para os fãs de doom/drone psicadélico. Dois anos de pequenos lançamentos (diversos splits, dois álbuns ao vivo, um EP e mesmo uma compilação) tinham-nos transformado na coqueluche de toda a gente que procurava obscuridade, distorção e uma forte componente alienante. Por isso a edição de 500 cópias em vinil de «Bong», da Heidemut Productions, voou num instantinho e transformou o disco num dos mais procurados itens de coleccionador da cena doom/drone dos últimos anos. Agora, a Ritual Productions faz um favor ao mundo e reeditada o álbum, pela primeira vez em CD, e insere-lhe uma faixa nova e inédita («Asleep»), que encaixa perfeitamente no material ritualista, hipnótico e desconcertante de «Wizards Of Krull» e «The Starlit Grotto». Se os Bong são, actualmente, uma das mais respeitadas entidades do doom/drone, esta raiz do seu estilo, mais densa, lenta e psicadélica do que tudo o que fizeram depois, mostra porquê e indica o início do caminho artístico de uma banda que parece ter o espírito livre do jazz, a alma musical do blues e o odor impregnado de um laboratório de anfetaminas.
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INFERION
«Aborted By The Sun»
Auto-financiado
2/5
Gravado originalmente em 2003 ainda como a outra banda de Nick Reyes dos Inferion, o EP «Aborted By The Sun» nunca chegou a ver a edição devido a um disco rígido consumido pelo fogo. Aparentemente, há pouco tempo Reyes terá encontrado um backup das misturas originais dos seis temas do EP, que motivou a regravação caseira das pistas em falta e a edição agora, sob a égide dos Inferion. «Aborted By The Sun» distancia-se, no entanto, estilisticamente do black metal dos Inferion com uma abrasiva abordagem mais thrash/death, completa com o uso e abuso de blastbeats. Apesar de atingir picos de alguma complexidade e riffs de maior suecada nos seus pontos mais inspirados, não é material com grande variedade ou originalidade. Ainda por cima sofre do problema de falta de dinâmica na produção, o que o coloca na “prateleira” das coisas vagamente interessantes para quem segue a carreira dos Inferion com alguma atenção, mas pouco mais do que isso.
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NEGATIVA
«Negativa»
PRC Music
4/5
Formados em 1994 mas principalmente activos depois da extinção dos Gorguts, de onde vieram os guitarristas e vocalistas “Big” Steve Hurdle e Luc Lemay, os Negativa eram uma espécie de super-banda canadiana por direito próprio, completa com o baixista Miguel Valade (Ion Dissonance) e pelo baterista Etienne Gallo. «Negativa» foi, em 2006, o EP de estreia do grupo, que viria a ser o seu único lançamento também. Continha três temas (um de quatro, outro de seis, outro de nove minutos) do estilo progressivo e vanguardista que os Gorguts defendiam para o seu death metal em discos como «Obscura» ou «From Wisdom to Hate». E é precisamente nesta espécie de “continuação lógica” do material dos Gorguts que estava o grande atractivo dos Negativa nestes três temas, que variam brutalmente de ritmos, abordagens e ambientes, mantendo como linha comum a procura de novas soluções para o death metal, num ambiente de imprevisibilidade sustentado por óbvios argumentos técnicos e uma experimentação sem limite. Infelizmente, a banda começou a sofrer alterações de formação logo a seguir à edição de «Negativa», com constantes mudanças de baterista e o recrutamento de uma vocalista feminina (Danielle Hubbard) para a última encarnação conhecida do grupo, que é impossível de repetir devido ao recente falecimento de “Big” Steve. Fica a consolação de, após vários anos de “fome” no mercado devido a uma edição original limitada a 1.000 cópias da Prodisk, «Negativa» estar outra vez disponível. Os novos fãs de Gorguts vão chamar-lhe um figo.
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LOCRIAN
«The Clearing & The Final Epoch»
Relapse Records
4/5
A cena musical de Chicago é suficientemente ecléctica para conter alguns dos mais perturbantes, experimentais e motivantes projectos da actualidade. Basta pensar em Sanford Parker, nos “seus” Minks e nos projectos que andam ali à volta. Os Locrian inscrevem o seu nome no lado mais ambiental e industrial da música desde 2005, com uma mistura de dark ambient, drone e industrial que é altamente evocativa e negra. O duo composto pelo guitarrista, percussionista e baixista André Foisy e pelo vocalista, guitarrista e samplista Terence Hannum tem lançado uma série de títulos desde a sua formação, basicamente em todos os formatos possíveis (CD-r, cassete, vinil, CD, splits, etc), que se estendem por uma série de terrenos musicais, todos eles profundamente experimentais e ambientais. «The Clearing» foi o seu disco de 2011, mistura de música contemporânea, do dark industrial que o grupo tem aperfeiçoado desde a sua formação e de algo mais negro, inominável, que o projecto sabe esconder nas sombras à custa de tensões sonoras e dinâmica muito própria construída com feedbacks, melodias subliminares e com a típica samplagem industrial. «The Clearing & Final Epoch» é, no entanto, como o título sugere, mais do que apenas a mera transferência do lançamento de 2011 dos Locrian de vinil para CD; contém também um disco bónus com cerca de uma hora de material inédito basicamente no mesmo registo, embora um pouco mais selvagem, um pouco mais misantropo, um pouco mais bizarro e soturno. No fundo, boa música de piquenique, desde que seja feito num cemitério, à noite, sem qualquer tipo de iluminação num raio de oito quilómetros.
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MUNRUTHEL
«Epoch Of Aquarius»
Svarga Music/Gardarikka Musikk
4/5
Reedição do terceiro disco, de 2006, do projecto do ucraniano Munruthel, ex-baterista dos Nokturnal Mortum e actual membro dos Thunderkraft, cujo mais recente disco de originais criticámos há pouco tempo por aqui. «Epoch Of Aquarius» foi uma proposta consideravelmente mais sinfónica do que os dois trabalhos anteriores do senhor, em que o dark ambient desempenhava um papel mais preponderante. Mantendo sempre o folk pagão local em perspectiva, os seus sete temas partem para uma abordagem mais intrincada, multifacetada e entusiasmante de black/folk metal sinfónico com teclados omnipresentes e uma boa dose de variação rítmica. A coisa cheira a folclore eslavo por todos os lados, o que colocará os fã de Nokturnal Mortum que deixaram passar a edição original de 1.000 cópias da saudosa Oskorei Music a salivar abundantemente. Esta reedição, feita em CD jewelcase normal e em digipack, conta com os temas bónus «Black Sun» dos Dead Can Dance (na edição normal) e «Tomhet» de Burzum (na edição em digipack), o que faz do item uma coisinha underground apetecível que apenas com uma grande força de vontade não se compra em ambas as edições.
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