GUSTAVO VIEIRA

Gustavo VieiraÉ possível que, ou nunca tenham ouvido falar de Gustavo Vieira, ou o nome vos diga alguma coisa mas não se recordem bem de onde se lembram dele. A verdade é que este ex-teclista dos Firstborn Evil é um dos mais activos e criativos autores dentro do panorama metálico e fora dele. Na entrevista que se segue, focamo-nos principalmente no mais recente dos seus projectos – heavy metal portuguesa transformada em canções de embalar para bebés – mas Vieira é também humorista, actor, músico e redactor de um blog. E vale a pena conhecer o seu trabalho.

Standup01Como surgiu a ideia de fazeres versões para bebés de música heavy metal?
Por acaso, a ideia inicial nem era essa. A minha ideia inicial era fazer música instrumental/orquestral de músicas heavy metal. Tive essa ideia quando ouvi a daixas «Opus A Satana» de Emperor, que está no EP «Reverence» e que é uma versão instrumental/orquestral da «Inno A Satana» do álbum «In The Nightside Eclipse». Sendo eu teclista, e na altura estando até a compôr músicas originais a solo, foi uma ideia que me cativou. Um dia estava a ouvir a canção «The Last Child» dos Ramp e achei ser uma boa experiência para essa ideia. E fi-la. Enviei a versão instrumental/orquestral para amigos e até para a banda. Tanto o Rui Duarte dos Ramp como amigos me disseram se não gostaria de experimentar fazer versões lullaby, como alguns projectos que existem por aí. Decidi então experimentar. Como já tinha começado com Ramp, decidi continuar com bandas portuguesas que eu gosto e que comecei a ouvir nos anos 80, pegando mesmo em músicas dessa altura. Comecei com Thormenthor, depois foi Procyon, Braindead e por aí fora.

Tencionas cingir-te a bandas portuguesas ou tens planos para fazeres versões de nomes internacionais também?
O meu plano, por enquanto, é fazer de bandas portuguesas. Bandas estrangeiras é o que muita gente espera e há vários projectos desse género. Por isso, vou continuar com o que me dá mais gozo, que são as bandas portuguesas que fizeram história a partir dos anos 80. Mas nada me impede de variar. Por exemplo, já fiz de grupos recentes como Perpetratör e Martelo Negro e até já fiz de uma banda internacional: Ratos De Porão. Ou seja, vou continuar com projectos portugueses, mas os internacionais não estão postos de parte. E mesmo as internacionais, quero experimentar com bandas mais underground, ou não tão conhecidas no mainstream.

És pai? Costumas “testar” as tuas versões em bebés verdadeiros?
Não sou pai. Nunca testei as versões em bebés estando lá pessoalmente, mas já recebi feedback de pais “metaleiros”, até mesmo dos criadores das músicas originais, bem como de amigos não “metaleiros” e o feedback tem sido positivo. Os bebés gostam.

TecladoQual a música que, até agora, te deu mais trabalho transpor para este universo? E a que te deu mais gozo?
Não há músicas que dêm muito trabalho transpôr, até porque, para este tipo de música não convém complicar. Se a música tem muitos acordes, muitas mudanças de ritmo, quebras de tempo, ou é grande demais, não convém duplicar isso. Há que descobrir uma forma de simplificar. Até porque são os bebés que vão ouvir e não me parece que haja algum bebé que vá publicar uma má crítica por ter simplificado a música. Todas as canções me dão gozo, mas talvez as que me dêm um gozo especial são as mais extremas e com títulos macabros. É giro ver que há uma “Cannibalistic Devourment for babies” ou “Into The Death for babies”.

Existiu, até agora, alguma música que tenhas pensado transpor e que se revelou impossível?
Não. Tal como disse anteriormente, não há músicas difíceis ou impossíveis. Se a música é muito complexa, há que arranjar uma forma de simplificar. Até agora tenho escolhido músicas relativamente fáceis, até porque sou fã de todas as faixas e bandas que fiz.

Quais os planos para as próximas músicas de que vais fazer versões? Tens uma lista na tua cabeça?
Vou fazendo uma lista à medida que me vou lembrando de bandas. Quero continuar a fazer versões de bandas portuguesas old school. De momento, na minha lista estão bandas como Shrine e WC Noise, por exemplo.

Até agora tens disponibilizado os temas no teu canal no YouTube. Planeias, ou já pensaste em, editar um disco comercialmente com este teu projecto?
Já pensei nisso e até pessoas me têm perguntado o mesmo. Tenciono fazer algo, sim. De momento, acho que é bom partilhar algum do trabalho gratuitamente e online para dar a conhecer o projecto. Ainda não pensei a fundo na comercialização, mas é algo que se acontecer, é bem vindo. Se houver por aí alguma editora ou alguém interessado em editar o projecto, está à vontade para conversarmos.

Standup02Que música ouves actualmente? Que bandas te têm surpreendido ultimamente e que nomes favoritos ouves recorrentemente?
Não oiço só heavy metal, se bem que é o género que oiço mais e é o meu preferido, é claro. Fora do heavy metal, oiço bandas sonoras de filmes e música new age, orquestral. Dentro do heavy metal, o meu estilo preferido é o power metal melódico. Mas oiço bastante thrash metal, grindcore, crossover e outros. As minhas bandas favoritas são Helloween, Gamma Ray, Stratovarius, etc. Power Quest foi uma excelente surpresa a primeira vez que os ouvi, e foi ao vivo. Não me canso dos álbuns deles.

És também um reconhecido humorista. Como é ser humorista em Portugal e, ao mesmo tempo, trabalhar nessa área e dentro de um panorama ainda mais micro como o heavy metal?
Ser humorista em Portugal já teve os seus altos e baixos. Quando comecei, em 2004, houve um boom, muito por causa do programa Levanta-te e Ri. Começaram a aparecer muitos humoristas novos e muitos bares com vontade de organizar eventos de stand-up. Foi uma boa época. Uns três anos mais tarde o panorama morreu um pouco mas, felizmente, tem estado a crescer e bastante. Há muitos e bons humoristas e bons locais para actuar. Acho que stand-up e heavy metal são muito parecidos. Tem de se gostar muito para entrar nessa área, são áreas que por vezes não eram bem vistas pelo público – agora está melhor – para termos algum reconhecimento temos de começar por actuar em locais duvidosos e quase sempre de graça…. E já nem digo quando perdemos dinheiro e tudo. Mas não penso muito no facto do porquê ou de como é ter projectos nessas duas áreas. Simplesmente gosto e isso para mim chega.

Para além de tudo isto, tens ainda um passado em várias bandas de metal e punk, a mais famosa das quais os Firstborn Evil. Não pensas voltar a uma banda “a sério” no futuro mais próximo?
Não penso em voltar a tocar em bandas, pelo menos no formato de que é suposto, ou seja: Composição de músicas, ensaios, gravação de registos, concertos, etc. É um meio muito cansativo e isso iria tirar-me tempo para fazer outros projectos, até porque não sou pessoa para ter só um projecto. Mas, por vezes, posso dar um ou outro concerto só para recordar os velhos tempos, como já aconteceu com a banda punk-rock Sat On The Cat onde era baterista, ou até gravar uma demo tape mais na desportiva, como aconteceu com a banda D.O.M.

BateriaQuais são os teus planos para o futuro mais próximo? Em que novos projectos estás a trabalhar?
Projectos tenho muitos. Quanto à comédia, espero poder fazer mais actuações, até porque nestes últimos três anos tenho actuado muito pouco. Vou continuar a fazer música para bebés e talvez alargar para outros tipos de bandas e até géneros musicais, quem sabe. Tenho um projecto de escrita humorística sobre heavy metal, que já vem de longa data, em colaboração com outro amigo comediante e metaleiro, o Paulo Rodrigues, e que se chama Laughbanging. Escrevemos piadas sobre o que se passa no heavy metal e ultimamente temos feito entrevistas humorísticas a bandas e a personalidades. É algo original porque fazemos perguntas que nunca ninguém fez e tanto nós como as bandas divertimo-nos imenso. Quem quiser ler, aceda a facebook.com/laughbanging. Tenho um projecto novo em que faço a banda sonora, vozes e sons para umas curtas animações que estão disponíveis na internet. Foram criadas por Miguel Braga, fundador da Bang Bang Animation Studios e o trabalho pode já ser visto em facebook.com/theblackblots. Além disso, escrevo textos de comédia, toco e componho músicas originais em teclado, toco bateria, faço sketches humorísticos, estou a estudar para começar a fazer trabalhos de locução e dobragem e o que mais aparecer por aí. Todos os meus projectos estão no meu site em gustavovieira.com.

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